Israel acelera em 4 vezes construções na Cisjordânia

Segundo pesquisa, 550 casas foram erguidas nos assentamentos desde o fim do congelamento, há menos de um mês

AP, O Estado de S.Paulo

22 de outubro de 2010 | 00h00

JERUSALÉM

Desde o fim da moratória nos assentamentos da Cisjordânia, no dia 26, colonos israelenses passaram a construir no território palestino a um ritmo quatro vezes maior do que a média registrada nos últimos dois anos. A conclusão é de um levantamento feito pela agência de notícias Associated Press e revelado ontem.

Ao todo, em três semanas israelenses iniciaram a construção de quase 550 casas no local que será parte de um Estado palestino, caso um acordo seja alcançado.

Os assentamentos haviam sido congelados por dez meses, quando o primeiro-ministro de Israel, Binyamin "Bibi" Netanyahu, assumiu o poder. Apesar das pressões internacionais, Netanyahu não renovou a moratória, temendo perder apoio de setores radicais de sua coalizão.

Segundo o movimento israelense antiassentamentos Paz Agora, o total de novas residências pode chegar a até 700, se somadas as construções tanto na Cisjordânia quanto em Jerusalém Oriental.

A pesquisa da Associated Press foi qualificada de "alarmante" pelo enviado da ONU ao Oriente Médio, Robert Serry. Segundo ele, essas construções "são ilegais, de acordo com o direito internacional" e minam a confiança no diálogo.

O levantamento foi feito por meio de visitas a 16 dos 120 assentamentos existentes, além de entrevistas com organizações de colonos, movimentos pacifistas, políticos árabes e israelenses, e especialistas na questão.

O governo Netanyahu negou que a retomada das construções afaste a Autoridade Palestina da mesa de negociação e inviabilize um futuro Estado árabe na região. Segundo o gabinete do premiê, as novas casas não impedem o estabelecimento de um eventual Estado palestino.

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