Israel acelera plano de construção em Jerusalém Oriental

Governo decidiu antecipar o planejamento de mais de mil casas, sendo 400 em Har Homa e 600 em Ramat Shlomo

O Estado de S. Paulo

27 de outubro de 2014 | 17h02

JERUSALÉM - O governo israelense decidiu acelerar um plano de construção de mil casas em Jerusalém Oriental. "O governo decidiu antecipar o planejamento de mais de mil casas em Jerusalém, sendo 400 em Har Homa e 600 em Ramat Shlomo", disse uma fonte oficial nesta segunda, 27, em referência a dois bairros judaicos de Jerusalém Oriental, sem revelar mais detalhes.

A fonte não informou se com a decisão o governo de Israel está anunciando um novo projeto de construção de residências ou a aceleração de um programa existente.

"É um ato de provocação. O premier Netanyahu não pode esperar de nós uma bandeira branca se continuar nos empurrando para o canto", afirmou Jibril Rajub, dirigente do Fatah, partido do presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas.

Um anúncio como este pode significar que as autoridades pretendem abrir uma licitação para a construção efetiva de um projeto imobiliário existente ou que estão acelerando o processo para um novo projeto, afirmou à agência France Presse Lior Amihai, porta-voz de uma organização contrária à colonização, "Paz Agora".

De qualquer maneira, destacou Amihai, o momento escolhido é ruim. "Nunca é bom o momento de fazer coisas deste tipo, menos ainda agora, quando Jerusalém está em crise", disse.

No domingo, centenas de palestinos enfrentaram pela quinta noite consecutiva a polícia em Jerusalém Oriental, antes do sepultamento do palestino que matou, na quarta-feira, um bebê israelense e uma jovem equatoriana em um atropelamento.

Conflitos. Jerusalém Oriental sofreu com conflitos na noite deste domingo, durante o funeral do palestino Abdel Rahman a-Shaludi. O jovem foi morto a tiros pela polícia israelense, enquanto tentava fugir, após atropelar duas pessoas, um bebê, Haya Zissel Braun, e uma jovem, Keren Yemima Mosquera, no último dia 22. Braun morreu na hora e Mosquera, neste domingo.

Durante o funeral, a polícia permitiu a presença de apenas 20 pessoas, o que gerou revolta entre os palestinos. Mosquera, judia equatoriana de 20 anos, também foi sepultada neste domingo.

Para a polícia, Shaludi era militante do Hamas e o episódio foi um atentado terrorista. No entanto, Israel também anunciou que o palestino de 21 anos possuía problemas mentais. Após o episódio envolvendo Shaludi, foram retomados os conflitos entre israelenses e palestinos. Neste domingo, mil agentes se juntaram aos cinco mil policiais que já atuavam nos confrontos com palestinos durante a semana, na parte leste da cidade. / AFP

 

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