Israel acerta reunião de paz enquanto projeta mais 800 casas na Cisjordânia

Governo israelense dá aprovação prévia para expansão em território palestino horas antes de Washington anunciar que 1ª rodada de negociações ocorrerá na quarta-feira; ‘Não aceitamos a legitimidade dos assentamentos’, dizem EUA

08 de agosto de 2013 | 22h53

Israelenses e palestinos retornarão à mesa de negociações na quarta-feira, afirmaram nesta quinta-feira os EUA, duas semanas após negociadores dos dois lados aceitarem, em Washington, retomar o diálogo de paz - parado há três anos. O anúncio foi feito horas depois de Israel ter concedido uma autorização prévia para a construção de 800 casas em território palestino. Os EUA criticaram a medida.

O primeiro encontro, na semana que vem, será em Jerusalém, seguido de uma segunda reunião, cuja data ainda não foi divulgada, na cidade palestina de Jericó. Segundo havia anunciado o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, o prazo para se chegar a um acordo definitivo é de até nove meses.

O recém-nomeado enviado especial dos EUA para acompanhar as negociações, Martin Indyk, e sua equipe participarão dos encontros. Mas, ao anunciar o retorno do diálogo, a porta-voz do Departamento de Estado, Jen Psaki, enfatizou que não há expectativa de que, na próxima semana, os dois lados cheguem a compromissos mais ambiciosos. "O secretário Kerry não espera fazer qualquer anúncio ao final dessa rodada de negociação", afirmou.

Questionada sobre a aprovação prévia das construções israelenses na Cisjordânia, Jen reforçou que Washington condena qualquer tipo de expansão israelense na Cisjordânia. "Os EUA não aceitam a legitimidade da atividade de colonização e se opõem a qualquer esforço para legitimar os assentamentos."

Libertações. Como parte do que foi acordado em Washington no dia 30, na véspera do encontro em Jerusalém, Israel soltará 26 palestinos que cumprem longas penas. Trata-se da primeira leva de libertação de presos palestinos - ao todo, 104 condenados em prisões israelenses serão soltos. Em contrapartida, a Autoridade Palestina prometeu suspender seus esforços em organizações internacionais para que seja reconhecida com status de Estado.

Palestinos exigem um Estado com o contorno das fronteiras de antes de 1967 - a Cisjordânia, a Faixa de Gaza e Jerusalém Oriental. Eles também cobram o direito de refugiados palestinos retornarem a suas cidades de origem, muitas delas atualmente em território israelense.

Israel considera Jerusalém sua capital "eterna e indivisível" e diz que o retorno de todos os refugiados palestinos é impraticável. Israel tem ainda duas exigências especiais: que os palestinos reconheçam o caráter judaico do Estado de Israel e o mundo islâmico reconheça seu direito de existência.

O retorno das negociações está cercado de ceticismo. O gabinete israelense está dividido sobre o tema, enquanto a AP controla apenas a Cisjordânia - Gaza é dominada pelo Hamas. / AP

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