Israel ainda não deixa Arafat ir à Missa do Galo

Permanecia o impasse hoje na Cisjordânia sobre a ida ou não do presidente da Autoridade Palestina (AP), Yasser Arafat, à Missa do Galo em Belém, a cidade onde nasceu Jesus Cristo, situada na parte cisjordaniana sob controle palestino. No início da noite Arafat mantinha sua posição de enfrentar os bloqueios militares israelenses entre Ramallah, cidade sede da AP em que ele está praticamente confinado há várias semanas, e Belém, a 20 quilômetros de distância, a sudoeste de Jerusalém. Mas havia fortes indícios de que Arafat, de 72 anos, não iria cumprir sua determinação de ir a Belém, "nem que fosse a pé". O patriarca latino de Jerusalém, Michel Sabbah, declarou que ele poderia não ir a Belém. Ele é muçulmano, como mais de 95% dos palestinos. Mas há na Cisjordânia uma importante minoria de palestinos (árabes) cristãos, predominantemente em Belém, Beit Jala e arrdores, onde constituem 35% da população. E a própria mulher de Arafat é católica. Os cristãos alinham-se com os demais palestinos na luta por um Estado nacional. O governo israelense reiterou hoje sua decisão de impedir Arafat de assistir à missa, como ele sempre fez desde que a cidade passou ao controle da AP, em 1995, e reforçou o bloqueio militar, com tanques e soldados, em torno de Ramallah. O primeiro-ministro Ariel Sharon determinou que a proibição só seria levantada se a AP prendesse os extremistas palestinos que mataram o ministro do Turismo de Israel, Rehavan Zeeevi, em outubro. Depois de uma semana de calmaria, hoje grupos armados palestinos feriram seriamente a tiros um colono judeu perto de Nablus, na Cisjordânia. Um dos atacantes foi morto no tiroteio que se seguiu. A Associated Press recebeu um chamado atribuindo a ação às Brigadas de Al-Aqsa, grupo extremista da Fatah, a organização a que pertence Arafat. O interlocutor disse que a ação era uma "retaliação" por Israel não permitir a ida de Arafat a Belém. O atentado de militantes ligados à Fatah representa um duro revés para Arafat, por indicar que ele não está conseguindo conter os radicais de sua própria facção. O presidente palestino fez um duro chamamento no dia 16 para que todos os grupos radicais parassem com ataques aos colonos e militares nos territórios ocupados da Faixa de Gaza e da Cisjordânia e os atentados suicidas em Israel. Grupos radicais como o Hamas e a Jihad Islâmica anunciaram a interrupção dos ataques em território israelense, mas não pareciam dispostos a incluir na trégua as regiões ocupadas pelos colonos e os militares. A AP prendeu vários militantes radicais e lacrou escritórios dos grupos radicais. Hoje, cinco fábricas artesanais de explosivos do Hamas foram fechadas e várias pessoas presas, segundo a AP. No entanto, Israel considera que as medidas tomadas por Arafat são insuficientes e exige que ele prenda os líderes das organizações extremistas. Vaticano - O Vaticano qualificou a medida israelense de "arbitrária" e informou que sua Secretária de Estado estava em contato com o govenro de Israel para buscar a remoção da proibição e facilitar "um clima mais conciliatório na área". Mas tropas israelenses detiveram por cerca de 15 minutos e revistaram um comboio de veículos que levavam líderes religiosos cristãos para Belém, depois de terem mantido uma reunião com Arafat em Ramallah para lhe manifestarem sua solidariedade. A caravana era liderada pelo patriarca latino de Jerusalém, Michel Sabbah. O Exército informou que era uma verificação de rotina, mas as forças de segurança israelenses não costumam checar carros de diplomatas e clérigos. Uma fonte nos meios políticos de Israel informou à AP que os militares pararam os veículos porque receberam relatórios do serviço secreto informando que o líder palestino poderia tentar desafiar a proibição israelense, seguindo para Belém com a delegação de Sabbah. O embaixador da Bélgica em Israel, Wilfred Geens, falando em nome da União Européia, pediu ao governo judeu para permitir a passagem de Arafat. Ele destacou que Arafat era o único líder muçulmano que costuma participar da missa cristã. "O ato tem uma grande importância simbólica e é o testemunho de tolerância religiosa", afirmou Geens. A negativa israelense "reverte um monte de pontos positivos que Israel havia ganho com a opinião européia nas últimas semanas".

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