Israel alerta cidadãos para que deixem o Sinai

Governo diz ter informações concretas sobre planos terroristas para tentar sequestrar Israelenses

JERUSALÉM, O Estado de S.Paulo

14 de abril de 2010 | 00h00

O governo de Israel emitiu um alerta "urgente" a seus cidadãos para que deixem imediatamente a Península do Sinai, no Egito, citando "evidências concretas de planos de terroristas para tentar sequestrar israelenses" na região egípcia.

O comunicado, divulgado pelo departamento antiterror do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu, também faz o incomum apelo para que as famílias israelenses que estão visitando o Sinai entrem em contato com as autoridades de Israel.

O comandante do departamento antiterror, general Nitzan Uriel, reconheceu que há rumores de que israelenses têm sido sequestrados no Sinai. "Não trabalhamos com rumores, trabalhamos de acordo com informações de inteligência", disse o general à TV Israel. Ele acrescentou que levará algum tempo para acabar com os rumores, que circularam ontem o dia todo.

Segundo a TV israelense Canal 2, cerca de 20 mil israelenses viajaram para o Sinai durante a semana do feriado da Páscoa judaica, que começou no dia 29, mas o general Uriel disse que, atualmente, há cerca de 1.200 israelenses no Sinai.

O departamento antiterror tem um alerta permanente de viagem advertindo aos israelenses para que fiquem longe do deserto do Sinai por causa da ameaça de ataques terroristas. No entanto, frequentemente muitos turistas israelenses ignoram o alerta e viajam para o deserto e a costa no Mar Vermelho.

O Sinai foi cenário de numerosos ataques terroristas, entre eles um atentado a bomba no balneário de Sharm el-Sheikh em 2005 e outro em Dahab em 2006, matando dezenas de israelenses. Em 2004, suicidas atacaram o Hotel Taba Hilton no Egito, próximo à fronteira com Israel, e vários campings frequentados por israelenses. Dezenas de pessoas foram mortas e centenas, feridas.

Israel controlou a Península do Sinai desde sua captura na Guerra dos Seis Dias, em 1967, até sua devolução ao Egito em 1982 como parte do acordo de paz assinado pelos dois países. / REUTERS E AP

PARA ENTENDER

O Sinai é uma península montanhosa e desértica entre os golfos de Suez e Ácaba. Ocupa uma posição estratégica, pois une dois continentes - África e Ásia. É rica em petróleo, ouro e vários outros tipos de minérios. É considerada religiosamente importante tanto para cristãos quanto para judeus e muçulmanos, pois pela região passaram todos os profetas. Foi invadida e ocupada pelos impérios otomano, britânico e por Israel.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.