Israel ameaça lançar invasão terrestre massiva no Líbano

Apesar da crescente pressão internacional para que Israel suspenda sua ofensiva contra alvos em território libanês, declarações de membros do alto comando militar israelense apontam para o prolongamento do conflito. Nesta quinta-feira, o ministro da Defesa israelense, Amir Peretz, afirmou que o Exército não descarta uma possível incursão terrestre massiva no Líbano, enquanto o comandante do Estado-Maior das Forças Armadas israelenses, general Dan Halutz, afirmou que o conflito pode durar "muito mais".Milhares de soldados já operam em território libanês perto da fronteira, à procura de túneis onde estariam foguetes e militantes do Hezbollah, segundo o diário israelense Haaretz. O comando militar estava reunido à noite para decidir a extensão da operação por terra. De acordo com o correspondente da Associated Press na região, o governo parece ter decidido ser necessária uma invasão em larga escala para empurrar o Hezbollah para uma distância de 30 quilômetros da fronteira. Com isso, seria criada uma nova "zona de segurança" no sul libanês, como a que Israel manteve por 18 anos, até retirar-se do país em 2000. "Não há intenção de ocupar o Líbano, mas também não há nenhuma intenção de renunciar a nenhum tipo de operação militar que for necessária", disse o ministro israelense, durante uma visita a localidades no norte de Israel atingidas por foguetes lançados por militantes do Hezbollah. Um dos objetivos declarados de Israel com a ofensiva é acabar com os ataques ao norte do país. Em declarações que reforçaram a ameaça de Peretz, o general Halutz afirmou nesta quinta-feira que a ofensiva contra o país vizinho "não terminará enquanto a segurança de Israel não for restaurada" e prometeu destruir o arsenal do grupo guerrilheiro Hezbollah, assim como sua capacidade militar."O conflito no norte pode durar muito mais", comentou Halutz em carta enviada a soldados e oficiais. "Estamos sendo testados nesse momento. Nossa força moral e nosso valor serão refletidos no Estado de Israel e em seus habitantes, assim como em sua capacidade de se levantar diante da ameaça no front", escreveu.As declarações provocaram uma resposta quase imediata do ministro da Defesa libanês, cujas Forças Armadas até o momento se mantiveram à margem do conflito. Caso uma invasão massiva por terra realmente aconteça, o Exército libanês reagirá, prometeu o ministro Elias Murr. "Estamos esperando por eles para que possamos defender nossa terra, honra e dignidade. O Exército libanês resistirá, defenderá e provará que merece respeito", disse Murr.Invasão no sulRefletindo as declarações do alto comando militar de Israel, tropas israelense fizeram uma grande incursão ao sul do Líbano nesta quinta-feira, ação em que enfrentaram forte resistência de guerrilheiros do Hezbollah. Segundo o Exército de Israel, o objetivo era procurar por túneis e armas em posse dos militantes. Dois soldados israelenses morreram e quatro ficaram gravemente feridos na ação. Entre os militantes, por enquanto não há um número exato de baixas, mas vários teriam morrido.Imagens da TV israelense mostraram helicópteros israelenses atirando repetidamente contra alvos no chão. Os ataques teriam ocorrido a 1,5 quilômetro da fronteira.Uma força de resgate foi enviada para a região, sendo ela mesma atacada pelos guerrilheiros, em uma batalha que durou várias horas."Parte do embate foi a curta distância, e parte a longa distância, com ataques de artilharia anti tanques e morteiros contra as forças israelenses", disse o Genera Shuki Shahor. BeiruteEm Beirute, duas fortes explosões foram ouvidas após o anoitecer, aparentemente em decorrência de um novo ataque aéreo israelense contra os redutos do Hezbollah no sul da cidade. Segundo a televisão libanesa, ainda não notícias sobre mortos, mas muitos moradores dessa região da cidade já deixaram suas residências.Na quarta-feira, bombardeios israelenses deixaram cerca de 70 pessoas mortas, segundo a TV libanesa, no dia o mais violento desde o início dos combates. Israel iniciou a ofensiva ao Líbano no último dia 12, depois que oito soldados foram mortos e dois capturados por militantes do Hezbollah. Desde então, mais de 300 libaneses, a maioria civis, morreram nas ações israelenses. Segundo a Unicef, os ataques israelenses fizeram com que mais de 500 mil libaneses abandonassem suas casas. Já em Israel, 30 pessoas morreram vítimas de foguetes e mísseis lançados por guerrilheiros do Hezbollah, que atuam na fronteira sul do país.Matéria atualizada às 20h55

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