Israel amplia bombardeios contra Gaza

Medida foi anunciada após foguete palestino matar um israelense e o grupo Hamas rejeitar proposta de trégua apresentada pelo Egito

JERUSALÉM , O Estado de S.Paulo

16 de julho de 2014 | 02h01

O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, anunciou ontem a ampliação da operação israelense na Faixa de Gaza depois da primeira morte de um civil israelense desde o início da recente crise entre o governo e o Hamas, há nove dias. Morador da cidade de Erez, o israelense foi atingido por um foguete disparado do território palestino, segundo o Exército.

"Estávamos preparados para resolver isso pela via diplomática. O Hamas não deixou outra alternativa a não ser uma resposta com mais força", disse Netanyahu em pronunciamento. "O Hamas escolheu continuar a luta e pagará o preço por essa decisão. Quem fere Israel acaba ferido." Netanyahu disse ainda esperar por "apoio integral dos membros responsáveis da comunidade internacional" no caso de uma intensificação dos ataques israelenses. "Sei que todos confiam em mim e em nós para que ignoremos o barulho de fundo e nos centremos na questão principal: faremos de tudo para assegurar que a calma retorne a Israel", concluiu.

Na madrugada de ontem, um cessar-fogo proposto pelo Egito nem chegou a entrar em vigor. O Hamas reconheceu o movimento diplomático para o fim do conflito, mas o braço armado do grupo, as Brigadas Al-Qassam, não aceitou os termos da proposta apresentada pelo Egito. Após um dos líderes do Hamas, Moussa Abu Marzouk, dizer no Cairo que o grupo não tinha tomado uma decisão final, os ataques recomeçaram, seis horas após a hora em que deveria ter começado a trégua.

No meio da tarde, um civil ferido por um foguete palestino não resistiu e morreu. O Exército israelense respondeu com bombardeios. Os militares disseram ter como alvo pelo menos 20 lançadores de foguetes escondidos pelo Hamas, além de túneis e armazéns de armas.

Sami Abu Zuhri, um porta-voz do Hamas em Gaza, disse que as demandas feitas pelo movimento deveriam ser atendidas antes do cessar-fogo. O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, que conseguiu entrar em acordo com o Hamas em abril para liderar a formação de um governo de união no mês passado, deve chegar hoje ao Cairo para se juntar aos esforços por uma saída diplomática.

A ala mais radical do gabinete israelense defendeu a ampliação da operação. "A única maneira de conversar com o Hamas é com a força do Exército", disse o vice-ministro da Defesa de Israel, Danny Danon, que deixou o cargo por ter votado contra o cessar-fogo. O ministro das Relações Exteriores, Avigdor Lieberman, defendeu a retomada de toda a Faixa de Gaza, desocupada por Israel em 2005.

Do lado palestino, 200 pessoas morreram e 1,4 mil ficaram feridas na Operação Limite Protetor. A ofensiva começou depois que três adolescentes israelenses foram sequestrados e mortos na Cisjordânia. O governo atribuiu o crime ao Hamas. Em represália, três judeus extremistas sequestraram e queimaram vivo um adolescente palestino.

Repercussão. O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, condenou ontem a rejeição do cessar-fogo por parte do Hamas. "Não posso condenar com mais dureza as ações do Hamas, que dispara mísseis contra o esforço e a boa vontade de se alcançar o cessar-fogo para o qual trabalham Egito e Israel", afirmou Kerry em Viena.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu ao Hamas que coopere com a iniciativa de trégua proposta pelo Egito.

O diplomata sul-coreano solicitou a todas as partes envolvidas o avanço sobre a abertura de um canal diplomático com a mediação do Cairo. Ele também lembrou a todos os lados que a lei humanitária internacional deve ser respeitada e assegurou que a ONU continuará trabalhando para levar ajuda à população de Gaza. / EFE, REUTERS e AP

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