Israel amplia ofensiva terrestre contra o Hezbollah

As tropas israelenses, reforçadas por milhares de reservistas, receberam ordem para destruir a infra-estrutura de combate do Hezbollah no sul do Líbano até a altura do Rio Litani, cerca de 20 quilômetros ao norte da fronteira, informaram nesta terça-feira fontes do governo. O Gabinete de Segurança, presidido pelo primeiro-ministro, Ehud Olmert, autorizou a ampliação da campanha terrestre. A extensão da ofensiva contra alvos da milícia xiita libanesa começou na madrugada desta terça-feira (horário local), com a entrada em território libanês de mais soldados do corpo de pára-quedistas, da infantaria e de engenheiros com equipamentos pesados. A ofensiva para ´varrer´ o Hezbollah do sul do Líbano pode se prolongar por até duas semanas, segundo avaliações militares. Concluída a missão, Israel vai recuar e deixar o terreno sob controlede uma força multinacional, ou do Exército libanês.No 21º dia de crise, o Comando da Defesa Civil voltou a advertir a população do norte de Israel para que se mantenha nos abrigos desegurança. Fontes militares acreditam que o Hezbollah ainda pode disparar mísseis terra-terra com alcance de até 200 quilômetros. "Não há cessar-fogo""Não há cessar-fogo nem haverá nos próximos dias", disse Olmert, durante um ato público em Tel-Aviv, antes de ser anunciada a decisão do Gabinete de Segurança. Olmert a declaração horas depois de a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, sair de Jerusalém com destino a Washington, mostrando esperança num cessar-fogo ainda esta semana. A rádio pública afirmou nesta terça-feira que Olmert, em conversa com o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, disse que "quando a forçamultinacional chegar ao sul do Líbano, poderemos anunciar o cessar-fogo". A ministra de Relações Exteriores, Tzipi Livni, explicou a colegas de outros países que a proposta faz parte de um pacote que incluirá a libertação dos dois soldados capturados pelo Hezbollah emIsrael, dia 12 de julho, que desencadeou a crise. Fontes policiais informaram sobre um ataque de morteiros do Hezbollah contra a aldeia de Margaliot, sem conseqüências. Na segunda-feira, osmilicianos dispararam apenas dois foguetes, aparentemente em reação ao anúncio de que a Força Aérea tinha suspendido seus bombardeios noLíbano durante 48 horas. A aviação israelense, cujas operações foram limitadas, segundo fontes militares, atacou uma estrada no Vale do Líbano que serve para o transporte de armas para o Hezbollah. No sul, os alvos foram depósitos da milícia e uma plataforma lança-foguetes. EnganoAlém disso, Israel bombardeou um caminhão na estrada de Beirute para Damasco sob suspeita de que levava armas. Por engano, foi atacado também um veículo ao norte da cidade de Tiro, no qual viajavam um oficial e soldados libaneses. O Exército israelense pediu desculpas. Calcula-se que até o momento morreram cerca de 300milicianos do Hezbollah, entre eles 50 de unidades de elite. Israel registrou 33 baixas militares e a morte de 18 civis. Segundo o general da reserva Ze´ev Livni, as Forças Armadas estãooperando com apenas 10 ou 20% de seu poder de fogo, mas "não haverá problemas para chegar ao Rio Litani". Em 1978, em operações contra a guerrilha palestina no sul do Líbano meridional, o Exército também chegou até o Rio Litani e permaneceu três meses antes de se retirar por causa de uma resoluçãodo Conselho de Segurança da ONU. Na época, foi criada uma primeira força internacional"provisória", a Unifil, ainda em atuação, para supervisionar a retirada israelense.

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