Israel anuncia medidas contra radicais judaicos após morte de bebê palestino

Após os ataques de judeus ultraortodoxos contra a Parada Gay de Jerusalém e assentamentos palestinos - que causaram a morte de um bebê de 1 ano e meio e uma adolescente de 16 anos - o governo de Israel anunciou ontem que prenderá radicais judaicos suspeitos de terrorismo sem a necessidade de um julgamento, uma medida geralmente adotada contra extremistas palestinos.

JERUSALÉM, O Estado de S.Paulo

03 de agosto de 2015 | 02h04

A decisão foi anunciada após uma reunião do gabinete de segurança sobre o ataque ocorrido sexta-feira em Duma, na Cisjordânia, no qual o bebê palestino de 18 meses morreu queimado após a casa da família ser incendiada por radicais.

O primeiro-ministro Binyamin Netanyahu afirmou ontem, em um comunicado, que os membros do gabinete consideraram o incêndio um ato de terrorismo em todos os aspectos. O premiê então orientou as autoridades a usarem todos os meios necessários para levar os responsáveis à Justiça e impedir casos semelhantes.

Segundo o documento, o gabinete, integrado por ministros que recebem assessoria de altos comandantes da Defesa e diferentes aparatos de segurança, "aprovou as recomendações profissionais para aplicar todos os passos e ferramentas necessários, entre eles, o uso de detenção administrativa ( como é chamada a prisão sem necessidade de julgamento) nos casos apropriados e com a aprovação da Procuradoria Geral".

As medidas são inéditas, mesmo após outros ataques similares terem ocorridos na Cisjordânia nos últimos anos. Atualmente, Israel aplica a detenção administrativa somente a palestinos.

No fim de semana, milhares de israelenses se concentraram nas principais cidades do país para exigir o fim da impunidade com a qual atuam radicais judaicos na Cisjordânia e pedirem o fim da violência.

O gabinete de segurança também instruiu que seja apresentada ao Parlamento (Knesset) uma proposta de lei antiterrorista descrevendo o estilo de terrorista que agiu em Duma.

Segundo o jornal Ynet, entre as medidas recomendadas ao Executivo, também está a colocação de pulseira eletrônica nos suspeitos e condenados por atos de terrorismo.

Durante a reunião do gabinete, ficou estabelecida a criação de uma equipe ministerial liderada pelo titular da Defesa, Moshe Yaalon, e com a participação dos ministros de Interior e Justiça, com capacidade de assessoria ao gabinete sobre ações para lutar contra esse tipo de "ato terrorista".

Ainda ontem, foi confirmada a morte da jovem Shira Banki, de 16 anos, atacada a facadas por um judeu ultraortodoxo quando participava da Parada Gay em Jerusalém. Outras cinco pessoas foram esfaqueadas no ataque.

Ameaças. Em meio a pressão para o governo agir contra o extremismo judaico, a presidência israelense apresentou ontem uma denúncia à polícia por ameaças de morte sofridas pelo presidente Reuven Rivlin após ele classificar de vergonha o assassinato do bebê palestino e repudiar o ataque contra a Parada do Orgulho Gay em Jerusalém.

As ameaças começaram na noite de sábado, quando Rivlin fez um discurso e disse ser a favor da tolerância.

No Facebook, circulava uma montagem do presidente israelense vestindo um keffiyeh (lenço) palestino com o símbolo da presidência da Autoridade Nacional Palestina e a legenda: "Rivlin, traidor, que sua memória seja esquecida". /EFE e NYT

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