Israel anuncia que vai expandir assentamentos

Apesar de sugestões de que o governo israelense estaria disposto a assumir compromissos na espinhosa questão dos assentamentos, o ministro da Habitação anunciou nesta terça-feira que levaria à frente plano para construção de centenas de novas casas em colônias na Cisjordânia. Em persistente violência, três palestinos e três colonos judeus morreram enquanto representantes israelenses e palestinos planejavam realizar conversações sobre segurança depois de uma nova rodada de mediação dos Estados Unidos. Oficiais de segurança dos dois lados reuniram-se pela primeira vez em cerca de dois meses a pedido do novo enviado norte-americano para o Oriente Médio, o subsecretário de Estado William Burns. O ministro da Defesa israelense, Binyamin Ben-Eliezer, disse que as conversações serão promovidas em duas rodadas - com chefes de segurança da Cisjordânia nesta terça-feira e com seus colegas da Faixa de Gaza na quarta. A reunião com os líderes cisjordanianos durou menos de duas horas, comentou Tawfik Tirawi, chefe do serviço de inteligência na Cisjordânia. De acordo com ele, não houve nenhum progresso. Israel exige o fim da violência, mas os palestinos alegam que estão agindo em defesa própria, prosseguiu Tirawi. Encontros anteriores não levaram à restauração da cooperação de segurança que existia depois que a Autoridade Palestina, de Yasser Arafat, foi estabelecida em 1994, visando evitar ataques por parte de extremistas palestinos contra israelenses.A cooperação acabou quando a atual onda de violência explodiu há oito meses. Agora, Israel afirma que a AP está diretamente envolvida nos ataques, e que, ao libertar militantes de prisões, tem sua parcela de responsabilidade nos ataques suicidas à bomba e outros que têm infernizado os israelenses nos últimos meses. Os palestinos culpam Israel pela violência e têm expressado pouca esperança de que as conversações possam gerar frutos, a menos que nelas sejam também tratadas as disputas políticas. Burns pressiona os dois lados para começarem a implementar o relatório de uma comissão internacional encabeçada pelo ex-senador norte-americano George Mitchell, que pede pelo fim da violência, seguido de medidas de criação de confiança, incluindo um total congelamento da construção em assentamentos judaicos nos territórios palestinos ocupados. Israel anunciou que aceitava o relatório, apesar de no passado o primeiro-ministro Ariel Sharon ter-se oposto a um congelamento total nas colônias, dizendo que as comunidades tinham de se expandir em vista de seu "crescimento natural". Planos para expandir dois grandes assentamentos continuam intactos. Nesta terça-feira, o ministro israelense da Habitação, Natan Sharansky, disse à Rádio de Israel que havia aprovado a abertura de concorrência para a construção de 496 novas unidades habitacionais em Maale Adumin, nos arredores de Jerusalém, e 217 unidades em Alfei Menashe, nas proximidades de Tel Aviv. Os dois assentamentos são subúrbios de grandes cidades e têm poucas casas vagas, ao contrário de colônias menores no interior da Cisjordânia onde, segundo grupos pacifistas israelenses, existem milhares de unidades vazias. Anúncios do plano várias semanas atrás jogaram a questão dos assentamentos para a linha de frente do atual conflito. Palestinos, que querem estabelecer um futuro Estado em toda a Cisjordânia e Gaza, dizem que os 144 assentamentos - onde vivem 200.000 israelenses - são ilegais e devem ser desmantelados. Os Estados Unidos consideram os assentamentos um obstáculo à paz. Sharon disse que quando chegar a etapa das medidas de criação de confiança - depois que um cessar-fogo for respeitado por um período não determinado - ele acredita que possa ser negociado um acordo sobre os assentamentos. Mas a continuidade da violência ameaça ensombrear os esforços para arranjar um cessar-fogo. Dois palestinos, um deles um atacante suicida com explosivos atados a seu corpo, foram mortos num posto militar israelense na Faixa de Gaza, disseram militares judeus.Um outro foi morto a tiros quando jogava uma granada no posto. Dois soldados israelenses ficaram feridos. Uma testemunha palestina disse que os explosivos foram detonados quando o atacante foi levado para uma sala para uma checagem de segurança. Em duas emboscadas palestinas na Cisjordânia, três colonos judeus foram mortos e cinco ficaram feridos. À tarde, na primeira emboscada, palestinos abriram fogo de um carro em movimento contra um veículo israelense nas proximidades do assentamento de Neve Daniel, sul de Jerusalém, matando dois colonos e ferindo outros três. Um dos mortos era Sarah Blaustein, 53 anos, uma imigrante dos Estados Unidos. O marido dela, Norman, também de 53 anos, ficou levemente ferido, e um filho, Sammy, 27 anos, foi gravemente ferido com três balas em suas costas. Na outra emboscada, nas proximidades de Nablus, foi morto a tiros o chefe de segurança dos assentamentos no norte da Cisjordânia, Gilead Zar, 41 anos. Ele havia sido gravemente ferido num ataque palestino no ano passado. Ben-Eliezer disse que a organização Fatah, de Arafat, assumiu responsabilidade pela emboscada, o que era, segundo ele, "muito lamentável". Desde que a violência teve início em setembro último, já morreram 481 palestinos e 88 israelenses.

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