Israel apresenta uma 'lista' para pacto ideal com o Irã

Ministro da Inteligência divulga requisitos específicos que seu governo gostaria de ver em acordo sobre programa nuclear iraniano

O Estado de S. Paulo

06 de abril de 2015 | 22h42

 JERUSALÉM - Claramente insatisfeito com as garantias de Washington, Israel listou ontem requisitos específicos que gostaria que estivessem em qualquer acordo final com o Irã relacionado ao programa nuclear do país. O ministro israelense de Inteligência e Assuntos Estratégicos, Yuval Steinitz, apresentou um rol de alterações desejadas pelo governo para um  acordo final, a ser firmado em 30 de junho. Segundo ele, essas mudanças tornariam o pacto“mais razoável”.

O governo israelense afirma que as alterações são necessárias para "fechar brechas perigosas" no acordo preliminar acertado entre o Irã e potências do chamado P5+1 - EUA, Rússia, China, França, Grã-Bretanha e a Alemanha – em Lausanne, Suíça, na quinta-feira.

A reação de Israel veio depois das garantias do presidente Barack Obama de que o acordo preliminar era “de longe a melhor aposta” para impedir Teerã de obter uma arma nuclear e sua promessa aos israelenses de que os EUA “estão prontos para defendê-ls".

Steinitz disse que a sugestão de que não havia nenhuma alternativa ao acordo ou que Israel não havia apresentado uma outra possibilidade “está errada”.

“A alternativa não é para declarar guerra ao Irã”, disse ele, falando a jornalistas num hotel de Jerusalém. “É aumentar a pressão, ficar firme e levar o Irã a fazer concessões sérias para ter um acordo muito melhor.”

As discordâncias entre Israel e Obama relacionadas às negociações com o Irã mancharam seriamente as relações bilaterais nos últimos meses. A Casa Branca ficou furiosa com a decisão do premiê israelense, Binyamin Netanyahu, de falar a uma sessão conjunta do Congresso americano, no mês passado, para criticar o acordo iminente sem consultá-la.

Diante do tom mais conciliatório de Obama com Israel nos últimos dias, o governo deixou claro que pretende manter a pressão sobre o Irã. No domingo, Netanyahu apareceu nos programas This Week, da ABC, State of the Union, da CNN, e Meet the Press, da NBC News.“Não estou tentando acabar com nenhum acordo. Estou tentando acabar com um mau acordo”, disse.

A abordagem de Netanyahu, porém, tem rendido críticas a Israel. Efraim Halevy, ex-chefe da agência de inteligência israelense Mossad, sugeriu que os críticos de Obama deviam mudar de tom. Ele disse à Rádio do Exército ontem que Israel teve três meses para fazer lobby para o governo Obama melhorar pontos específicos do acordo com o Irã.“Para influenciar, é preciso agir com respeito pelo seu parceiro”, disse.

Ontem, Steinitz disse que Israel estaria fazendo novos esforços para persuadir o governo Obama e o Congresso, bem como Grã-Bretanha, França, Rússia e outras potências mundiais “a não assinarem esse acordo ruim ou, pelo menos, alterá-lo ou corrigi-lo dramaticamente”.

Referindo-se à explicação de Obama numa entrevista a Thomas Friedman, colunista do New York Times, de que, se o Irã fizesse objeção a inspeções de unidades, haveria um mecanismo internacional preparado para avaliar essas objeções, Steinitz disse que ele “não era bom o suficiente”. Segundo ele, é insatisfatório em razão do tempo exigido para remeter suspeitas a um comitê e também porque ninguém desejaria expor dados de inteligência sensíveis a um comitê que incluísse uma presença iraniana.

Existe uma crença internacional de que Israel possui um arsenal nuclear, mas mantém uma política de ambiguidade, não confirmando ou  negando que possui armas nucleares.

Pelo acordo negociado com os EUA e outras potências, o Irã concordou em reduzir significativamente seu programa nuclear por 10 a 15 anos e aceitar inspeções internacionais intensas, embora a estrutura das inspeções tenha ficado vaga.

O Irã deve supostamente limitar o enriquecimento de urânio em sua instalação de Natanz a um nível útil somente para fins civis e reduzir o número de centrífugas instaladas em cerca de dois terços. Ele converteria a usina de Fordo num centro para pesquisas pacíficas, deixaria de enriquecer urânio por pelo menos 15 anos, embora o acordo proposto permita que o Irã retenha cerca de mil centrífugas em suas instalações subterrâneas. O Irã também modificaria seu reator de água pesada em Arak para torná-lo incapaz de produzir plutônio.

Em troca, os EUA e outras nações levantariam as sanções que vêm sacrificando a economia iraniana. Obama disse que as sanções só serão levantadas depois que o Irã tiver cumprido seus compromissos.

Com respeito à declaração de Obama de que os EUA respaldariam Israel ante qualquer agressão iraniana, Steinitz agradeceu, mas acrescentou que um Irã equipado com armas nucleares seria uma ameaça existencial a Israel. “Ninguém pode nos dizer que apoio e assistência são suficientes para neutralizar semelhante ameaça”, disse ele.

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