Israel aprova 3 mil casas para colonos na Cisjordânia

Menos de 24 horas depois de a Assembleia-Geral das Nações Unidas ter promovido a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) de "entidade observadora" a "Estado observador", o governo de Israel aprovou a construção de 3 mil novas habitações para colonos judeus na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental.

AE, Agência Estado

30 de novembro de 2012 | 19h05

Sob a condição de anonimato, um funcionário do governo disse que Israel também decidiu dar início aos trabalhos preliminares de obras em outras áreas da Cisjordânia ocupada, inclusive no chamado corredor E1, que liga o extremo leste de Jerusalém ao assentamento judaico de Maaleh Adumim.

O anúncio de hoje foi amplamente interpretado como um desafio por parte de Israel à promoção do status dos palestinos na ONU. Os assentamentos judaicos são considerados um importante obstáculo às negociações de paz e ao estabelecimento de um futuro Estado palestino, principalmente no que diz respeito a sua contiguidade territorial.

O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmud Abbas, recusa-se a negociar enquanto Israel mantiver obras nos territórios ocupados. Já o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, insiste em que as negociações comecem sem a imposição de condições prévias.

A fonte no governo israelense não forneceu muitos detalhes. Questionada sobre a notícia de que Israel construiria as casas em resposta ao sucesso palestino na ONU, a fonte declarou: "É verdade. No leste de Jerusalém e na Cisjordânia".

Em reação à notícia, a representante palestina Hanan Ashrawi disse que os planos representam agora um ato de agressão "contra um Estado".

"É um ato de agressão israelense contra um Estado e o mundo precisa assumir suas responsabilidades", declarou ela à AFP um dia depois da Assembleia-Geral da ONU ter reconhecido a Palestina como Estado observador não-membro.

Ainda em Nova York, onde ontem assistiu à histórica sessão da Assembleia-Geral da ONU, Abbas disse que a OLP exerceria o direito recém-adquirido de recorrer diretamente ao Tribunal Penal Internacional (TPI) somente em caso de agressão por parte de Israel, mas não se referiu ao plano recém-anunciado como tal.

"Recorrer ao TPI agora é um direito nosso, mas não o faremos já e só o exerceremos no caso de uma agressão israelense", declarou Abbas. Em relação às construções israelenses, Abbas pediu a paralisação do plano e a retomada das negociações de paz.

Enquanto isso, palestinos eufóricos comemoraram, buzinaram nas ruas e gritaram "Deus é grande" em celebração à promoção de seu status na ONU.

"Ter um Estado gera um sentimento maravilhoso, ainda que só no nome", disse um civil, em meio à multidão de duas mil pessoas que comemoravam em uma praça de Ramallah. "O sonho mais bonito de qualquer homem é ter um Estado independente, principalmente para nós que vivemos sob ocupação por tanto tempo."

A decisão histórica ocorrida ontem não irá conceder, na prática, a independência dos 4,3 milhões de palestinos que vivem na Cisjordânia, no leste de Jerusalém e na Faixa de Gaza. Israel deve continuar a ocupar os dois primeiros territórios e restringir o acesso a Gaza.

No entanto, ao conquistarem a aprovação de um fórum mundial extremamente simpático à sua causa - somente nove dos 193 membros votaram contra o reconhecimento -, os palestinos esperam dificultar a resistência de Israel à pressão global para negociar as fronteiras de uma futura Palestina com base em como elas eram antes de Israel assumir o controle dos territórios.

Promotores do TPI disseram nesta sexta-feira que vão analisar o que a decisão da ONU significa para o relacionamento da OLP com o tribunal, que julga crimes de guerra. Em comunicado divulgado após o voto na assembleia da ONU, a promotoria do tribunal afirmou que "vai considerar as implicações legais dessa resolução".

Em abril, os promotores rejeitaram o pedido palestino por uma investigação de crimes de guerra ocorridos durante uma ofensiva de Israel à Faixa de Gaza, que começou em dezembro de 2008. As informações são da Associated Press e da Dow Jones.

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