Israel aprova a libertação de 200 palestinos

Olmert diz que idéia é ?impulsionar diálogo?; Fayyad pede que os 11 mil presos sejam soltos

AP e Reuters, Jerusalém, O Estadao de S.Paulo

18 de agosto de 2008 | 00h00

O governo israelense anunciou ontem que libertará cerca de 200 dos 11 mil palestinos presos em Israel, como um gesto de boa vontade ao presidente da Autoridade Palestina (AP), Mahmud Abbas, do partido Fatah. "A idéia é impulsionar o diálogo e fortalecer o processo de paz", disse o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, durante a sessão do gabinete em que a medida foi aprovada. "Esse é um gesto para Abu Mazen (como Abbas também é chamado) e para o povo palestino, às vésperas do Ramadã", afirmou Olmert, em referência ao mês sagrado para os muçulmanos, que começa em 1º de setembro. Abbas já pediu - repetidas vezes - aos israelenses uma libertação em massa dos palestinos detidos, medida que ajudaria a fortalecer sua imagem. A questão dos prisioneiros é extremamente importante para os palestinos, pois muitos deles já estiverem presos ou têm parentes e amigos em presídios israelenses. ?INSUFICIENTE?O primeiro-ministro palestino, Salam Fayyad, elogiou o gesto israelense, mas disse que não era suficiente. Ele exortou Olmert a soltar todos os palestinos detidos em Israel. O governo israelense ainda tem de aprovar a lista final dos que serão soltos. Mas o gabinete já adiantou que ela inclui dois palestinos envolvidos em ataques que mataram israelenses, nos anos 70. Israel acredita que eles não retornarão à violência. A posição oficial do governo israelense é a de que palestinos envolvidos em ataques fatais não podem ser soltos. No entanto, já houve exceções, como a libertação, no mês passado, de um prisioneiro libanês considerado culpado pela morte de três israelenses. Em Gaza, o grupo islâmico radical Hamas - que se opõe às negociações de paz com Israel - criticou a libertação dos palestinos, alegando que só serão libertadas pessoas leais a Abbas. Para o porta-voz do grupo, Sami Abu Zuhri, Israel soltará os 200 detidos apenas "para ampliar as divisões internas entre palestinos", referindo-se à disputa entre o Hamas, que controla Gaza, e o Fatah.

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