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AP Photo/Ariel Schali
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Israel aprova coalizão de Bennett e Lapid e põe fim a 12 anos de governo de Netanyahu

Aliança que agrupa oito partidos de quase todo o espectro político é aprovada na Knesset por estreita maioria

Redação, O Estado de S.Paulo

13 de junho de 2021 | 15h27
Atualizado 14 de junho de 2021 | 11h30

TEL-AVIV - A Knesset, o Parlamento de Israel, inicou uma nova etapa de sua história ao aprovar neste domingo, 13, uma moção de confiança à aliança formada por rivais ideológicos unidos e costurada por Yair Lapid, líder do Partido Yesh Atid, de centro, com Naftali Bennett, do Yamina, de direita. A votação coloca fim a 12 anos de poder de Binyamin Netanyahu, o premiê mais longevo de Israel.

O novo governo será formado por uma ampla coalizão que vai de nacionalistas judeus de direita a políticos árabes-israelenses. A aliança foi formada com o principal objetivo de depor Netanyahu e conseguiu uma apertada maioria de 60 votos a favor, 59 votos contra e 1 abstenção.

Lapid deu início à formação da aliança, que ganhou força no dia 30 de maio, quando Bennet, de 49 anos, declarou apoio ao grupo, que conta com partios de centro e da minoria árabe. 

O Knesset se reuniu em sessão especial pouco depois das 16 horas (10 horas de Brasília) para que Lapid e Bennett apresentassem sua equipe, antes da votação. "Entendo que hoje não é um dia fácil para muitos, mas também não é um dia de luto, é um dia de mudança, de mudança de regime no marco de uma democracia ", indicou o líder radical da direita em seu discurso. Ele também alertou que seu governo não deixará "o Irã desenvolver armas nucleares" e "reserva absoluta liberdade de ação" contra Teerã. 

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, parabenizou o novo primeiro-ministro israelense. "Felicito o primeiro-ministro Naftali Bennett, o vice-primeiro-ministro e ministro das Relações Exteriores Yair Lapid, e todos os membros do novo gabinete israelense", disse Biden em um comunicado. 

Biden acrescentou que está "totalmente comprometido em trabalhar com o novo governo israelense para promover segurança, estabilidade e paz para israelenses, palestinos e povos de toda a região". 

Composição

Segundo o acordo, Lapid e Bennett dividirão o cargo de primeiro-ministro em rodízio. Bennett servirá nos primeiros dois anos e Lapid servirá nos últimos. O partido de Naftali Bennett, o Yamina, tem somente 7 das 120 cadeiras da Knesset.

O acordo histórico também inclui um pequeno partido islâmico, a Lista Árabe Unida, que o tornaria o primeiro partido árabe a fazer parte de uma coalizão governista. 

No discurso ao Knesset antes da votação, Bennett disse que o novo governo, uma coalizão de partidos ideologicamente divergentes, "representa Israel todo". Ainda antes da votação, o Lapid tuitou "a manhã da mudança".

Netanyahu, por sua vez, publicou na mesma rede social uma foto com o falecido rabino Menachem Mendel Schneerson, que lhe desejou "sucesso" em suas lutas.

O partido Likud de Netanyahu se comprometeu com uma "transição pacífica de poder" após mais de dois anos de crise política. Se a aliança não fosse aprovada, os israelenses teriam de participar de um quinto processo eleitoral em pouco mais de dois anos.

O primeiro-ministro tentou pressionar os comandantes da coalizão emergente para desertar e se juntar a seus aliados religiosos e nacionalistas e, sem êxito, falou em fraude. "Estamos testemunhando a maior fraude eleitoral da história do país", disse Netanyahu aos parlamentares do Likud no último domingo.

Netanyahu disse que continuará na política e prometeu que retornará ao poder "em breve". "Se o nosso destino é estar na oposição, faremos isso de cabeça erguida, derrubaremos esse mau governo e voltaremos a liderar o país do nosso jeito. Voltaremos logo!", garantiu. 

Não faltarão desafios para o novo governo, como uma marcha planejada para a próxima terça-feira pela extrema direita israelense em Jerusalém Oriental, um setor palestino ocupado por Israel. 

O movimento radical islâmico Hamas, que controla a Faixa de Gaza, um enclave palestino sob bloqueio israelense, ameaçou retaliar se essa marcha acontecer perto da Esplanada das Mesquitas, em um contexto de extrema tensão sobre a colonização israelense em Jerusalém. 

Em 10 de maio, o Hamas disparou uma salva de foguetes contra Israel em "solidariedade" aos palestinos feridos em confrontos com a polícia israelense em Jerusalém, levando a um conflito de 11 dias com o exército israelense. O conflito terminou graças a um cessar-fogo promovido pelo Egito, mas as negociações para chegar a uma trégua sustentável falharam. Resolvê-lo será outro desafio do executivo.

Nas ruas

Milhares de pessoas comemoraram a saída de Netanyahu do poder. Uma multidão exultante invadiu a Praça Rabin, no centro de Tel-Aviv, para celebrar a mudança de governo. 

Netanyahu, de 71 anos, está sendo julgado há um ano por corrupção. Os protestos pedindo sua renúncia continuam, o último deles na noite de sábado.

Em frente à sua residência oficial em Jerusalém, os manifestantes não esperaram a votação no Parlamento para comemorar a "queda do rei Bibi", o apelido de Netanyahu, que foi chefe de governo de 1996 a 1999 e sem interrupção desde 2009. "A única coisa que Netanyahu queria era nos dividir, uma parte da sociedade contra a outra, mas amanhã estaremos unidos, direita, esquerda, judeus, árabes", disse Ofir Robinsky, um dos manifestantes. / AFP e REUTERS

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