Israel aprova comitê para apurar ataque contra flotilha

O gabinete israelense aprovou hoje a criação de um comitê interno para investigar a ação militar de Israel contra uma flotilha que levava ajuda humanitária à Faixa de Gaza. A ação terminou com nove ativistas mortos.

AE, Agência Estado

14 de junho de 2010 | 10h03

"O gabinete votou unanimemente a favor da comissão", afirmou uma fonte do escritório do primeiro-ministro, pedindo anonimato. A formação de um comitê, que incluirá dois observadores estrangeiros, um do Canadá e outro da Irlanda, foi anunciada no fim da noite de ontem pelo escritório do primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu.

O comitê será chefiado pelo juiz aposentado da Suprema Corte Yaakov Tirkel. Ele terá a função de realizar uma investigação interna sobre os aspectos legais da operação de 31 de maio, na qual militares israelenses mataram nove ativistas turcos - um deles também com cidadania norte-americana - e feriram diversos outros.

Crítica

A Turquia rechaçou hoje a comissão israelense para apurar a ação dos militares do próprio país. "Nós não temos qualquer confiança de que Israel, um país que conduziu tal ataque contra um comboio civil em águas internacionais, irá realizar uma investigação imparcial", disse o ministro das Relações Exteriores turco, Ahmet Davutoglu. "Qualquer investigação realizada unilateralmente por Israel não terá valor para nós."

A Turquia insiste que a ação militar deve ser investigada por uma comissão sob controle direto das Nações Unidas, com a participação de Turquia e Israel. "Ter um réu agindo simultaneamente como promotor e juiz não é compatível com qualquer princípio de lei", disse o ministro. "Se uma comissão internacional não for estabelecida e se as demandas legítimas da Turquia continuarem a ser ignoradas, a Turquia tem o direito de revisar unilateralmente seus laços com Israel e implementar sanções."

O ministro não especificou quais seriam essas sanções. Davutoglu disse que seu país espera "pacientemente a comunidade internacional tomar ações de uma maneira objetiva". "Caso contrário, há medidas que nós podemos tomar." Em um aparente apelo aos Estados Unidos, ele lembrou que a vítima mais jovem, Furkan Dogan, de 19 anos, também tinha cidadania norte-americana.

Washington elogiou a comissão israelense para investigar o caso, afirmando que se trata de "um importante passo adiante". Ancara convocou seu embaixador em Tel-Aviv e informou que os laços bilaterais seriam reduzidos a "um nível mínimo". As informações são da Dow Jones.

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