Ronen Zvulun/Reuters
Ronen Zvulun/Reuters

Israel aprova construção de 1,1 mil casas em áreas ocupadas de Jerusalém

Decisão é tomada no momento em que Nações Unidas avaliam adesão plena de Estado palestino

Efe

27 Setembro 2011 | 14h58

JERUSALÉM - A Comissão de Planejamento Urbano de Jerusalém, vinculada ao Ministério do Interior de Israel, aprovou nesta terça-feira, 27, a construção de 1,1 mil casas em um assentamento no sul da cidade, informou um porta-voz do departamento. A área na qual serão erguidas as moradias faz parte do território palestino ocupado pelo Estado judeu.

 

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Os imóveis serão construídos nas encostas da parte sul do kibutz de Gilo, em frente à cidade palestina de Beit Jala, e além da chamada "Linha Verde", a fronteira da Cisjordânia reconhecida internacionalmente desde 1967.

 

A aprovação do plano de construção em território ocupado acontece no momento em que o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) começa a debater o pedido da Palestina para ser admitida no órgão internacional como Estado membro de pleno direito com as fronteiras anteriores a 1967 e com Jerusalém Oriental como capital.

 

"É um bom presente de Ano Novo", disse Yair Gabai, membro da comissão, à edição eletrônica do jornal Yedioth Ahronoth, em alusão ao ano novo judaico que começa nesta quarta-feira. "Jerusalém se expande em direção ao sul para criar moradias acessíveis. É preciso deixar claro a todo mundo que Jerusalém não está à venda", acrescentou.

 

Mais de 250 mil israelenses vivem em assentamentos construídos em áreas ocupadas de Jerusalém que foram anexadas por Israel ao território municipal da cidade. Para a comunidade internacional e para a Autoridade Palestina (AP), estes "bairros" são ilegais e constituem uma ocupação israelense.

 

A construção das 1.100 casas em Gilo se soma a outros projetos similares que despertaram a indignação da comunidade internacional e dos palestinos, com destaque para as mais de mil moradias em Ramat Shlomo, na parte norte, anunciadas durante uma visita em 2010 do vice-presidente americano, Joe Biden.

 

Assim como naquela ocasião, a aprovação do plano pela Comissão de Planejamento Urbano de Jerusalém, última instância para este tipo de projetos, pode gerar problemas para o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, justamente quando os Estados Unidos prometeram vetar a admissão da Palestina como novo Estado da ONU.

 

"É a última instância para a aprovação do projeto, o primeiro-ministro sempre pode intervir, mas se quisesse fazê-lo imagino que já teria feito", disse o porta-voz do Ministério do Interior, ao descartar uma possível ação por parte de Netanyahu.

 

A aprovação do projeto coincide com uma carta que grupos ultradireitistas enviaram ao primeiro-ministro para exigir a anexação à jurisdição israelense de todos os assentamentos da Cisjordânia como represália pela aspiração dos palestinos de obter o reconhecimento como Estado à margem das negociações com Israel.

 

Na carta, publicada nesta terça-feira pelo jornal Haaretz, vários políticos de dentro e fora da coalizão parlamentar que apoia o governo de Netanyahu pedem que seja feita uma "anexação progressiva" de colônias e que sejam suspensas suspenda as transferências mensais de impostos à AP procedentes de operários e mercadorias palestinas.

 

Além disso, os ultradireitistas fazem um apelo para que as construções em territórios ocupados sejam aceleradas, que os cartões que permitem que trabalhadores palestinos passem pelo território israelense sejam cancelados e os palestinos fiquem proibidos de construir em áreas sob controle militar israelense. 

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