Israel aprova construção de mil novas casas em Jerusalém Oriental

ONG classifica decisão como provocação; governo diz que obras foram aprovadas há tempos

estadão.com.br

08 de novembro de 2010 | 14h26

JERUSALÉM - Israel aprovou a construção de mais de 1.300 novas casas em Jerusalém Oriental, área de maioria de palestina, anunciou nesta segunda-feira, 8, a ONG anticolonização Paz Agora, segundo a agência de notícias AFP. A ONG teria qualificado a decisão do governo como uma "grande provocação".

 

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"Há três novos planos que serão publicados para licitação pública", declarou o porta-voz da Paz Agora, Hagit Ofran, explicando que a maioria dessas construções se darão no bairro de Har Homa, onde vivem atualmente mais de 7 mil pessoas.

 

Segundo Ofran, os planos incluem 983 casas em Har Homa e outras 42 perto de Belém. Ainda são previstas 320 moradias em Ramot, ao norte. "É uma nova etapa em Har Homa que fará do bairro uma comunidade ainda maior. É uma provocação", disse o porta-voz.

 

Essas são as primeiras licitações de Israel para novas casas depois do fim da moratória decretada no ano passado, que paralisou as construções por 10 meses e expirou no último dia 26 de setembro.

 

O jornal israelense Haaretz confirmou as informações. Segundo o site do diário, Ruth Yousef, chefe do Comitê de Planejamento e Obras do Distrito de Jerusalém, publicou detalhes do programa ao longo do final de semana. O Ministério do Interior anunciou que os detalhes foram publicados de acordo com a legislação e aprovados bem antes de virem a público.

 

Impasse

 

O anúncio deve piorar ainda mais a relação entre Israel e a Autoridade Nacional Palestina (ANP), já que toca em um assunto polêmico entre as negciações de paz - a ocupação em Jerusalém Oriental, região da cidade sagrada reclamada como capital do futuro Estado palestino.

 

Após meses de paralisação, as negociações diretas entre as duas partes foram retomadas em setembro, embora não tenha ocorrido nenhum avanço substancial.

 

A cisão entre os grupos palestinos também prejudica as negociações. Em 2007, ANP, facção secular liderada por Mahmoud Abbas, e o Hamas, movimento de resistência islâmica de inspiração religiosa, romperam o governo de coalizão que administrava os territórios palestinos.

 

Desde então, o Hamas - considerado por Israel e pelos EUA como uma organização terrorista - controla a Faixa de Gaza, e a Autoridade Palestina governa a Cisjordânia. O Hamas se nega a reconhecer o direito de existência de Israel e frequentemente lança foguetes contra o território judeu.

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