Israel aprova libertação de palestinos, mas impõe condições

O gabinete israelense aprovou hoje a libertação de prisioneiros palestinos, mas impôs duras condições para a execução da medida. "De maneira nenhuma vamos soltar detidos com as mãos sujas de sangue", disse o primeiro-ministro Ariel Sharon. A medida, aprovada por 13 votos a 9, coincidiu com o início oficial da trégua de três meses, adotada pelos movimentos radicais palestinos - Hamas, Jihad Islâmica, Brigadas dos Mártires de Al Aqsa (do grupo Fatah, do líder Yasser Arafat). Em acalorado debate, Sharon argumentou que a libertação de prisioneiros reforçará a liderança do primeiro-ministro palestino Mahmud Abbas, cujo governo é apoiado pelos Estados Unidos. Além de ter ratificado o cessar-fogo, o governo de Abbas prometeu reprimir os radicais. Essa é uma das condições impostas por Sharon para soltar presos. Estima-se entre 6 e 8 mil o total de palestinos confinados em cárceres israelenses. É intenção do governo libertar cerca de 400. Hoje mesmo, Sharon se reuniu com Avi Dichter, diretor do Shin Bet (serviço secreto interno), encarregando-o da elaboração de uma lista. As autoridades israelenses não pretendem soltar militantes do Hamas e da Jihad Islâmica - grupos radicais apontados como responsáveis pelos atentados suicidas em Israel. Contudo, tanto o Hamas quanto a Jihad condicionaram o cessar-fogo à libertação de todos os presos. O ministro palestino de Assuntos de Prisioneiros, Hisham Abdel Razeq, disse que Israel não informou oficialmente a Autoridade Palestina sobre a não libertação de militantes do Hamas e da Jihad. "Se isso se confirmar, será uma violação do plano de paz", ressaltou. A questão deverá ser examinada por Sharon e Abbas, durante encontro que manterão em Jerusalém na quarta-feira. O gabinete israelense pediu a criação de uma comissão especial para supervisionar a lista de palestinos a serem libertados. Um dos convidados a integrá-la, o ministro da Infra-estrutura, Avigdor Lieberman, recusou a indicação. Os ministros decidiram também criar uma comissão para supervisionar o cumprimento, por parte dos palestinos, de todos os itens do roteiro para a paz - o plano patrocinado pelos Estados Unidos, Rússia, Nações Unidas e União Européia -, informou o ministro do Turismo israelense, Benny Elon. Logo após a decisão do governo israelense, o ministro da Defesa israelense, Shaul Mofaz, e o ministro da Segurança palestino, Mohammed Dhalan, debateram aspectos da luta palestina para conter os extremistas. "O encontro de 3 horas foi positivo", resumiu Mofaz. "Há esperança de que os palestinos comecem a lutar contra o terrorismo e tenho a impressão de que suas intenções são boas." Em Gaza, cerca de 1.200 pessoas participaram de uma marcha pela libertação dos presos. Muitas famílias carregavam cartazes com fotos de parentes detidos. "Só haverá paz com a libertação de todos", gritavam em coro. Por sua vez, o porta-voz do Hamas, Nafez Azzam, advertiu que a trégua está em perigo. "Reter palestinos no cárcere frustrará qualquer esforço de paz", disse ele.

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