Israel aprova mais 200 moradias em Jerusalém Oriental

Autoridades israelenses deram aprovação preliminar nesta quarta-feira para a construção de mais 200 moradias numa área de Jerusalém Oriental, medida que deve intensificar as já elevadas tensões na cidade.

Estadão Conteúdo

12 Novembro 2014 | 16h01

A decisão foi tomada pouco antes da chegada do secretário de Estado norte-americano John Kerry à vizinha Jordânia, numa missão que tem como objetivo restaurar a calma na Terra Santa, após semanas de tumultos.

A maior parte da violência na região deriva de tensões a respeito de um sensível local sagrado reverenciado por muçulmanos e judeus, mas o colapso das negociações de paz intermediadas pelos Estados Unidos, a sangrenta guerra de Israel na Faixa de Gaza e a continuidade das construções israelenses em Jerusalém Oriental também influenciam a situação.

Brachie Sprung, porta-voz da municipalidade, disse que autoridades da cidade aprovaram a construção de mais 200 moradias na área de Ramot. Ela afirmou que a aprovação é apenas o estágio preliminar do processo de planejamento, o que significa que o início da construção vai demorar anos. Sprung informou também que autoridades da cidade aprovaram a construção de outras 174 casas num bairro árabe.

Qualquer construção israelense para judeus em áreas de Jerusalém Oriental pode dar origem a uma tempestade diplomática, especialmente no atual ambiente de fragilidade.

Israel capturou Jerusalém Oriental em 1967 e anexou a área numa medida que não é internacionalmente reconhecida.

Os palestinos querem Jerusalém Oriental como a capital de seu futuro Estado. A comunidade internacional não reconhece a soberania israelense sobre a área e se opõe à construção de novos assentamentos. Mais de 200 mil judeus israelenses vivem em locais como Ramot, que circundam Jerusalém Oriental para ajudar a consolidar o controle israelense na região.

O anúncio israelense foi feito antes de Kerry chegar à Jordânia, onde vai se reunir, na quinta-feira, com o rei Abdullah II e com o presidente palestino Mahmoud Abbas para discutir a situação em Jerusalém. Não está prevista uma viagem de Kerry a Israel.

Segundo um antigo acordo, a Jordânia tem direito de custódia sobre locais sagrados muçulmanos em Jerusalém, dentre eles o Monte do Templo, chamado pelos muçulmanos de Nobre Santuário.

A visita ao local por fiéis judeus elevou temores entre os muçulmanos de que Israel estaria tentando tomar o local. As tensões se elevaram e se transformaram em manifestações e violência. Nesta semana, Abbas acusou o primeiro-ministro israelenses Benjamin Netanyahu de levar a região a uma "guerra religiosa". Fonte: Associated Press.

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