Israel aprova reunião de Parlamento palestino

Israel concordaria com a realização de uma sessão especial do Parlamento palestino para que fossem aprovadas eleições e reformas, informou nesta terça-feira o governo. O ministro da Defesa israelense, Binyamin Ben-Eliezer, deve se reunir nesta terça-feira com o colega palestino, o ministro do Interior Abdel Razak Yehiyeh, para discutir a entrega da Faixa de Gaza à segurança palestina, enquanto as tropas de Israel se retiram da região, afirmaram oficiais palestinos. O Ministério da Defesa israelense apenas confirmou que um encontro será realizado nos próximos dias. Os palestinos marcaram eleições parlamentares e presidenciais para janeiro, mas a liderança palestina tomou conhecimento hoje dos detalhes de uma nova exigência dos Estados Unidos - que as duas eleições sejam em separado a fim de marginalizar o líder palestino Yasser Arafat. Os EUA querem que os palestinos promovam primeiro a eleição parlamentar, que o parlamento escolha um primeiro-ministro e só então preparem a votação presidencial, disse uma autoridade palestina, que pediu para não ser identificada. Os EUA querem que um primeiro-ministro seja um contrapeso a Arafat. O atual governo palestino não tem um primeiro-ministro. As exigências foram apresentadas no começo da semana, numa reunião em Paris de uma força-tarefa internacional que acompanha os esforços de reforma palestinos. O ministro do Trabalho palestino, Ghassan Khatib, que participou do encontro, disse que autoridades européias foram a favor da postergação das eleições até que sejam concluídas as reformas dos serviços de segurança palestinos. Os delegados europeus não estão satisfeitos com as reformas promovidas até agora e querem mais do que mudanças de pessoal, afirmou Khatib. Os enviados palestinos no encontro de Paris informaram hoje ao gabinete palestino as exigências da Europa e dos EUA. Autoridades palestinas têm dito que se opõem a qualquer mudança no sistema eleitoral. "Deixamos claro aos europeus e aos americanos que a eleição de nosso próximo presidente e de um primeiro-ministro - se houver um - é um assunto interno palestino", disse Khatib. O gabinete palestino informou que irá pedir a Israel para permitir que o Parlamento realize uma sessão especial a fim de aprovar as eleições e discutir as reformas. A permissão israelense é necessária devido às restrições de viagem impostas aos palestinos durante a atual onda de violência. Num comunicado, o Ministério do Exterior israelense anunciou que em conversações com o chanceler Shimon Peres, os palestinos levantaram a questão da convocação do Parlamento, e que "Israel responderia favoravelmente a tal pedido uma vez que seja apresentado". Os palestinos realizaram eleições gerais em janeiro de 1996, como parte de acordos interinos de paz. Na época, palestinos residentes em Jerusalém Oriental, capturada por Israel na Guerra dos Seis Dias de 1967 e anexada poucas semanas depois, também participaram da votação. Agora, o governo de Israel, encabeçado pelo primeiro-ministro Ariel Sharon, se opõe à participação de moradores de Jerusalém Oriental nas eleições palestinas, argumentando que tal passo minaria a afirmação de Israel de soberania sobre toda a cidade.

Agencia Estado,

27 Agosto 2002 | 19h49

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.