SANA via AP
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Israel ataca alvos iranianos na Síria, deixando mortos e feridos

Governo de Netanyahu afirma que confronto aconteceu após foguete ser disparado vindo do território sírio; Damasco nega envolvimento

Redação, O Estado de S.Paulo

21 de janeiro de 2019 | 11h45
Atualizado 21 de janeiro de 2019 | 20h49

BEIRUTE/JERUSALÉM - Israel bombardeou alvos iranianos na Síria na madrugada desta segunda-feira, 21, durante uma hora de explosões após a segunda noite consecutiva de confronto militar. Segundo o governo israelense, o objetivo é conter a presença do Irã, adversário geopolítico que está em Damasco desde o início da guerra civil síria, em 2011.

As forças militares israelenses afirmaram que seus aviões atacaram depósitos de munição, parte do aeroporto internacional de Damasco, uma base de inteligência e um acampamento de treinamento militar, assim como o sistema de defesa antiaérea da Síria. 

As Força Quds, uma unidade especial da Guarda Revolucionária Islâmica, foram o alvo do bombardeio. O Ministério da Defesa da Rússia, maior aliado do presidente sírio, Bashar Assad, disse que quatro soldados sírios foram mortos e seis ficaram feridos. O Observatório Sírio para Direitos Humanos (OSDH), que monitoramento a guerra, contabilizou 11 mortos no total.

Tanto Damasco quanto Moscou acusaram Israel de lançar um raro bombardeio diurno na manhã de domingo na Síria, após o governo israelense acusar as forças iranianas de disparar um foguete contra seu território. 

Esta foi a segunda vez durante a guerra civil síria que Israel acusou o Irã de disparar foguetes a partir da Síria, para onde Teerã enviou tropas em apoio a Assad. Os militares israelenses também lançaram uma série de ataques contra alvos ligados ao Irã em maio.

A Sana, agência estatal de notícias síria, informou nesta segunda-feira, 21, que Damasco esteve sob “intenso ataque”, mas que destruiu a maior parte dos “alvos hostis” graças à defesa aérea fornecida pela Rússia. Cerca de 30 mísseis de cruzeiro e de bombas guiadas foram interceptados, segundo a agência de notícias russa RIA. O ataque ocorreu após um foguete ser disparado em direção a um resort de ski nas Colinas do Golã, território sírio ocupado por Israel durante a Guerra dos Seis Dias, em 1967.

O primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, afirmou, após a ação militar, que seu país “não deixará passar as agressões”, sustentando que Israel tinha dado um “golpe severo” nos iranianos na Síria em resposta ao disparo de um míssil vindo do território sírio.

A ameaça de confronto aberto entre Israel e Irã ronda a Síria, enquanto os militares iranianos mantêm presença na região desde o início da guerra civil em apoio a Assad contra os rebeldes. Israel, que considera Teerã a maior ameaça regional, tem lançado ataques contra alvos iranianos e milícias aliadas, incluindo o Hezbollah, no Líbano, tentando expulsá-los da fronteira.

Analistas disseram, no domingo, que o lançamento do que o Exército israelense disse ter sido um míssil terra-terra pode ter sido uma tentativa do Irã de estabelecer um nível de dissuasão contra Israel, que tem bombardeado alvos militares iranianos na Síria. 

Os contínuos bombardeios israelenses têm irritado a Rússia, que também enviou soldados à Síria em apoio a Assad. Apesar de Israel afirmar que usou os canais oficiais para diminuir a tensão com a Rússia, Moscou disse na segunda-feira, 21, que sua paciência tem limite e está considerando fornecer armas adicionais à Síria se tais ataques continuarem. O governo russo acusou na segunda-feira, 21, Israel de “flagrantemente violar as leis internacionais e a soberania de um Estado ao bombardear o aeroporto internacional de Damasco. / AFP, REUTERS e W.POST

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