EFE/Oficina de prensa militar siria
EFE/Oficina de prensa militar siria

Rússia diz que Israel usou 28 aviões e disparou 70 mísseis contra posições do Irã na Síria

Ministério da Defesa russo afirmou que os ataques tinham como pretexto responder aos disparos contra as infraestruturas israelenses em Golan, e que metade dos projéteis foram destruídos pelo sistema de defesa antiaéreo sírio

O Estado de S.Paulo

10 Maio 2018 | 03h24
Atualizado 10 Maio 2018 | 08h00

MOSCOU - O Exército israelense utilizou 28 aviões e disparou 70 mísseis contra as infraestruturas iranianas na Síria, afirmou nesta quinta-feira, 10, o Ministério da Defesa da Rússia, segundo o qual metade do projéteis foram destruídos pelo sistema de defesa antiaéreo sírio.

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"Vinte e oito aviões israelenses F-15 e F-16 participaram nos bombardeios e dispararam 60 mísseis do tipo ar-terra contra várias regiões sírias", afirmou o ministério em um comunicado, que cita outros 10 mísseis "terra-terra disparados a partir de Israel".

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Os ataques, "com o pretexto de 'responder' aos disparos contra as posições israelenses em Golan", foram registrados entre 1h45 e 3h45 (locais), de acordo com o Ministério da Defesa da Rússia.

"Foram atingidas posições das forças iranianas e posições ligadas ao sistema de defesa antiaérea síria na área de Damasco e no sul da Síria", afirmou o ministério. "Os danos sofridos pelas forças iranianas e as infraestruturas militares e civis sírias estão sendo avaliados."

Segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), os ataques noturnos da aviação israelense na Síria mataram ao menos 23 combatentes, sendo 5 soldados sírios e 18 membros das forças aliadas ao regime. Entre os militares sírios mortos está um oficial. 

O Exército israelense disse que bombardeou dezenas de alvos militares do Irã na Síria, após 20 mísseis serem disparados do território sírio em direção a postos das Forças Armadas de Israel nas Colinas do Golan. Quatro deles foram interceptados e o restante caiu em solo sírio, asseguraram fontes militares.

"Nós atacamos dezenas de alvos militares na Síria", disse a um grupo de jornalistas o porta-voz militar de Israel, Jonathan Conricus, acrescentando que "estiveram nesta operação durante várias semanas, quase um mês, onde conseguimos frustrar vários ataques iranianos". Ele também declarou que a Rússia foi previamente informada sobre as ações.

"O ataque da noite passada (a Israel) foi um dos mais graves da Força Quds da Guarda Revolucionária contra a soberania israelense. Foi ordenado e comandado pelo general iraniano (Qasem) Soleimani e não atingiu seus objetivos", acrescentou.

A operação israelense de quarta à noite "é uma das maiores já realizadas pela Força Aérea nos últimos anos e a maior contra alvos iranianos. Foram atacados dezenas de alvos: centros de inteligência, bases militares, armazéns, mísseis balísticos e um veículo que servia como plataforma de lançamento dos foguetes", afirmou Conricus.

"Estamos focados em destruir as capacidades iranianas na Síria, mas não em ferir as pessoas. Destruímos um trabalho de meses do Irã ali", afirmou o porta-voz, confirmando que "todos os alvos atacados foram destruídos e nossos aviões voltaram sem danos". "Isto é algo que tínhamos previsto, mas a inteligência, a Força Aérea e as outras forças foram capazes de minimizar os danos.”

Entre os alvos atacados por Israel na Síria estão centros de inteligência associada com o Irã e o Eixo Radical, uma sede de logística da Força Quds, uma instalação militar logística em Al Kiswa, um complexo militar iraniano ao norte de Damasco e armazéns de munição da Força Quds no aeroporto de Damasco.

Também foram destruídos sistemas de inteligência e postos associados à Força Quds, postos de observação militar e de munição na região da fronteira e um lançador iraniano de onde saíram os foguetes para Israel.

“Espero que tenhamos encerrado esse capítulo e todos tenham entendido a mensagem”, disse o ministro da Defesa de Israel, Avigdor Lieberman. As autoridades decidiram que a vida civil no território ocupado das Colinas do Golan seguirá normalmente, mas pedem aos cidadãos que se mantenham em alerta. / AFP, EFE e REUTERS

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