Israel ataca e se reúne com AP

Chefes da área de segurança da Autoridade Palestina (AP) e de Israel voltaram a reunir-se nesta quarta-feira horas depois de os israelenses terem realizado na madrugada desta quarta o primeiro ataque contra território autônomo palestino desde o início da atual intifada, em setembro. O encontro, realizado em Israel, foi intermediado por diplomatas americanos e contou com a presença de funcionários da Agência Central de Inteligência (CIA). O objetivo da reunião é retomar a cooperação para reduzir a violência na região.Preocupado com a possibilidade de o conflito ficar fora de controle, o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, exortou nesta quarta as duas partes a tomarem medidas urgentes para encerrar os confrontos, restabelecerem a cooperação na área de segurança e reiniciarem as negociações de paz. Dois palestinos morreram, mais de 20 ficaram feridos e 30 casas foram destruídas ou seriamente danificadas na operação contra o campo de refugiados de Khan Yunis, na Faixa de Gaza. Militares israelenses e ativistas palestinos chegaram a ficar a 50 metros de distância. Os militares israelenses disseram que o ataque, com tanques e metralhadoras, era uma retaliação aos disparos de morteiros contra a colônia judaica de Neve Dekalim. Os líderes do campo convocaram todas as pessoas que tivessem armas a repelir a invasão, mobilizando centenas de palestinos de diferentes facções, além de forças de segurança da AP. O líder palestino Yasser Arafat deu ordem para que 40 casas sejam construídas no campo de refugiados e entregues às famílias desabrigadas, informou seu escritório. Na noite desta quarta-feira, o conflito recrudesceu em outras partes da Faixa de Gaza. Ativistas palestinos abriram fogo de morteiro contra o assentamento judaico de Nissanit, na Faixa de Gaza, e a vila israelense de Ntiv Haasara, localizada perto desse território.Logo depois, tanques de Israel dispararam contra um posto policial perto da cidade palestina de Beit Hanoun. As autoridades israelenses disseram que mais de 50 morteiros foram disparados nos últimos dias contra assentamentos e que vários estão sendo lançados de bases de segurança da AP, o que foi negado pelo ministro de Informação, Yasser Abed Rabbo.Ele afirmou que os disparos estão sendo feitos por ativistas sem vínculo com a AP e são uma resposta aos bombardeios e à matança de palestinos suspeitos de envolvimento em atentados em Israel. O ministro da Defesa de Israel, Binyamin Ben-Eliezer, afirmou que o país não tem planos de "reocupar" áreas da Faixa de Gaza sob controle da AP, das quais o israelenses se retiraram em 1994 como parte do acordo de paz de Oslo.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.