Israel atende a pedido dos EUA e pára demolição do QG de Arafat

Tanques e tropasisraelenses reforçaram hoje com arame farpado o cerco aocomplexo da Autoridade Palestina (AP), em Ramallah, naCisjordânia, onde o presidente palestino, Yasser Arafat, estáconfinado, mas interromperam no início da noite a demolição doprédio em que ele está. Cerca de 250 pessoas permanecem no edifício com o líderpalestino, incluindo 29 que Israel acusa de envolvimento ematentados (inicialmente, o governo falara em 20 procurados). Astropas israelenses estavam demolindo essa edificação - a únicaque restou de pé - e ameaçavam explodi-la se os 29 homens não seentregassem. Segundo a TV israelense, elas pararam com ademolição depois de "enérgica pressão diplomática" dos EUA. Os americanos temem que o aprofundamento da crisepalestino-israelense prejudique sua estratégia contra o Iraque.Os EUA precisarão usar suas bases no Golfo Pérsico para lançarum ataque ao território iraquiano. "As ações de Israel noexterior e interior da Muqata (a sede da Autoridade Palestina) não são úteis parareduzir a violência terrorista e promover as reformaspalestinas", assinalou a Casa Branca, num comunicado. As forças israelenses lançaram bombas de gáslacrimogêneo e dispararam contra milhares de pessoas quedesobedeceram ao toque de recolher e saíram às ruas paraprotestar, em Ramallah, Gaza e outras cidades palestinas.Soldados mataram quatro manifestantes. "Chega de toque derecolher", gritavam palestinos diante da sede da AP em Ramallah recusando-se a voltar para suas casas. Um menino de 13 anos morreu em Ramallah emcircunstâncias não esclarecidas: palestinos dizem que osmilitares atiraram nele, por ter violado o toque de recolher. OExército afirma que uma bomba incendiária explodiu quando ele alançava, matando-o. Os soldados israelenses estão a poucos metros de Arafate, segundo o porta-voz do governo de Israel, Raanan Gissin, opaís só levantará o cerco depois que os homens se entregarem. Ovice-ministro israelense da Defesa, Wizman Shiri, disse queIsrael gostaria que Arafat deixasse os territórios por decisãoprópria. No entanto, a imprensa local tem reportado que oobjetivo da operação - denominada Questão de Tempo - é tornarsua situação insustentável, para forçá-lo a partir para oexílio. Arafat afirmou várias vezes que prefere "morrer como ummártir" e disse a líderes árabes que se mataria com um tirocaso soldados israelenses tentem prendê-lo. Falando por telefone de dentro do complexo da AP ondeestá confinado, Arafat declarou hoje que os palestinos são"um povo de gigantes que não cederá". A afirmação foi feitapor ele em conversa telefônica com o ex-presidente do Conselho Legislativo(Parlamento) palestino, Kahled al-Fahoum, que, de Damasco (Síria), dirige uma coalizão de cinco pequenos movimentoscontrários à política de Arafat, a Frente De Salvação NacionalPalestina, e que disse estar "satisfeito por manifestar" sua solidariedade a Arafat. O primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, ordenou ocerco na quinta-feira, depois que dois atentados suicidas emmenos de 24 horas mataram nove pessoas (incluindo osextremistas) no país. A AP convocou uma greve geral para amanhã, pediu ajudamundial e fez um chamamento ao povo para resistir ao ataqueisraelense. A Liga Árabe realiza na segunda-feira, em caráter deurgência, reunião de delegados de seus 22 países membros.Líderes árabes estão fazendo um esforço diplomático para obtero fim do cerco. Há o temor de que, se Arafat for ferido, mortoou forçado a exilar-se, estourem manifestações populares nospaíses da região. O governo israelense insiste em que nãopretende machucar Arafat nem demolir o prédio em que está. Em Israel, oposicionistas e a imprensa questionam autilidade do cerco, especialmente por causa dos informes de queo objetivo de Sharon é forçar Arafat a exilar-se. Sharon estásendo criticado por atacar a sede da AP em vez de atacar osdirigentes do grupo islâmico Hamas, responsáveis pelos últimosatentados em Israel. Além disso, o cerco a Arafat - afirmam -só tende a fortalecê-lo num momento em que seu poder vem sendocrescentemente contestado pelos próprios palestinos.

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