Israel aumenta ataques antes da chegada de Powell

O Exército de Israel atacou neste sábado os campos de refugiados de Balata, em Nablus, e de Jenin, no norte da Cisjordânia, e concentrou grande contingente de tropas na periferia de Hebron. Dezenas de palestinos foram mortos no pior dia de ataques israelenses desde o início da intifada (levante contra a ocupação israelense), iniciada há 18 meses. Os soldados entraram na aldeia de Yatta, vizinha de Hebron, e retiraram-se após intenso tiroteio. Em Belém, militantes palestinos, policiais da Autoridade Palestina (AP) e mais de 70 religiosos e o governador local continuam sitiados pelas tropas no convento ao lado da Basílica da Natividade."Hoje é dia dos massacres em Jenin. O diretor do hospital me disse que há ao menos 30 mártires em um bairro", disse o ministro da Informação da AP, Yasser Abed Rabbo, Os palestinos denunciam a morte de dezenas de pessoas em combates em Nablus e Jenin, onde militantes radicais e policiais da AP anunciaram que vão resistir "até a morte". Quatro crianças entre 8 e 13 anos foram mortas em bombardeios em diferentes cidades.O porta-voz do Exército, David Ehrlich, respondeu que "em nenhum caso se pode falar de massacre contra civis desarmados" porque os soldados "foram recebidos com tiros e explosivos". "Nós os encurralamos (os militantes do campo de Jenin) para que se rendam. Aqueles que não se renderem vamos matar", disse o chefe das forças israelenses na área, Tal Aluf Eyal Shlein. A imprensa não pode checar as informações dos dois lados porque Israel impede seu acesso às áreas cercadas.Depois que os EUA anunciaram quinta-feira a ida do secretário de Estado Colin Powell ao Oriente Médio (ele parte hoje) e pediram a retirada das tropas israelenses das áreas palestinas, Israel intensificou os ataques, claramente para concluir a operação antes da chegada do americano.O prédio em que o líder da AP está confinado em Ramallah voltou a ser bombardeado ontem pelos tanques que o cercam há oito dias. Israel alega que respondeu a tiros e as forças da AP dizem ter disparado quando soldados tentaram entrar no local. Três guada-costas de Arafat ficaram feridos e um deles foi preso ao ser socorrido por uma ambulância, segundo a AP. Arafat saiu ileso.Residentes no campo de Jenin disseram à Associated Press que os helicópteros e tanques estão atirando em qualquer coisa que se move e os militantes de todos os grupos estão distribuindo cinturões de explosivos para as pessoas dispostas a amarrá-los ao corpo e atacar os soldados. De acordo com o Exército israelense, sexta-feira e ontem sete militares foram mortos em Jenin e outro na Faixa de Gaza, num ataque de dois ativistas da Jihad Islâmica contra um assentamento judaico. Os dois foram mortos por soldados.Israel deslanchou sua maior operação militar nos territórios no dia 29, depois que um atentado suicida em Netanya matou 26 pessoas. Foram reocupadas seis grandes cidades (Ramallah, Tulkarem, Qalqiliya, Belém, Jenin, Nablus - nas duas últimas, o controle é parcial), outras menores e campos de refugiados. Os soldados prenderam mais de mil pessoas, apreenderam grande quantidade de armas e estão revistando casa a casa em busca de suspeitos de participar dos atentados.O secretário de gabinete da AP, Ahmed Abdel Rahman, frisou que funcionários palestinos só se reunirão com Powell se ele se encontrar com Arafat. Nenhum líder da administração George W. Bush esteve até hoje com Arafat. Na sexta-feira, ele recebeu em seu escritório sitiado o mediador dos EUA, Anthony Zinni. A eletricidade no QG de Arafat foi cortada ontem. Israel nega que suas forças sejam as responsáveis por isso.

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