Israel autoriza entrada de cimento em Gaza

Território há 4 anos sob bloqueio volta a receber material de construção, que será usado em fábricas; exportação de produtos deve ser retomada

JERUSALÉM, O Estado de S.Paulo

18 de novembro de 2011 | 03h06

Pela primeira vez em quatro anos, Israel permitiu ontem a entrada na Faixa de Gaza de material de construção destinado à iniciativa privada. O carregamento será usado na reconstrução de dez fábricas, segundo autoridades dos dois lados. Integrantes do Hamas anunciaram ainda que alguns produtos produzidos em Gaza devem receber o aval de Israel para ser exportados.

Desde 2007, quando o Hamas assumiu controle total sobre Gaza, Israel e Egito impõem um bloqueio terrestre, naval e aéreo ao território. A pressão internacional fez com que nos últimos anos - principalmente após a crise da flotilha que tentou romper o cerco, em 2010 - o governo israelense aliviasse um pouco o bloqueio.

Até ontem, entretanto, Israel só permitia a entrada de material de construção para uso em projetos da comunidade internacional. Autoridades afirmavam que produtos como cimento estavam sendo usados pela facção radical Hamas, aliada ao Irã, para fins militares - por exemplo, na construção de bunkers e túneis. A entrada do material, segundo Israel, ampliaria o poder de fogo de militantes em Gaza, que frequentemente disparam foguetes contra o sul do país.

Mas para os palestinos, ativistas políticos e vários países - incluindo o Brasil -, o bloqueio a Gaza é uma forma de punição coletiva. Eles apontam que até 2010 Israel vetava a entrada de produtos como chocolate e brinquedos, e afirmam que o cerco impede a melhora da situação humanitária no território. Sem o material de construção, habitantes de Gaza ainda não conseguiram reconstruir prédios e obras da infraestrutura destruída durante a guerra de 2009.

Raed Fattouh, integrante do governo do Hamas, afirma que dois caminhões carregados de cimento cruzaram ontem o posto de passagem com Israel. Militares israelenses afirmaram que mais "dezenas" de veículos receberam autorização e devem entrar em Gaza nos próximos dias.

As dez fábricas para onde será destinado o material foram destruídas durante o ataque de Israel ao território em 2009, lançado sob o argumento de conter a onda de disparos de foguete do Hamas.

Fattouh afirmou também que bens produzidos em Gaza voltarão "em breve" a ser exportados - algo que Israel também vetava desde 2009.

Embora ameaças de aniquilação sejam frequentes entre Hamas e Israel, os dois lados conseguiram negociar um complicado acordo que culminou na troca do soldado Gilad Shalit por 1.027 palestinos presos, no mês passado. Ontem, cresceram as especulações de que a redução das restrições a Gaza esteja relacionado com o acerto entre a facção palestina e o governo israelense. Mas autoridades dos dois lados não confirmaram a informação. / ASSOCIATED PRESS

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