Israel avança sobre centro urbano de Gaza e envia reservistas a território

Confrontos diretos contra Hamas indicam início de nova fase do conflito; para premiê, país está perto de objetivos

Gustavo Chacra, JERUSALÉM, O Estadao de S.Paulo

12 de janeiro de 2009 | 00h00

Com reforço de milhares de reservistas, as forças israelenses avançaram ontem em direção à Cidade de Gaza, área mais populosa da Faixa de Gaza, e enfrentaram forte resistência do grupo islâmico Hamas, nos mais duros combates desde a eclosão da ofensiva, que completou 16 dias ontem. Apesar de não ter sido anunciada oficialmente, essa pode ser a terceira fase da guerra israelense contra o Hamas - confrontos diretos em zonas urbanas -, que começou com bombardeios aéreos no dia 27, seguidos de invasão terrestre, no dia 3.O Exército de Israel informou ontem que a zona residencial da Cidade de Gaza está cheia de bombas caseiras e armadilhas, incluindo manequins colocados na entrada de apartamentos, simulando militantes islâmicos, preparados para explodir assim que os soldados se aproximam.Ao mesmo tempo em que intensificava a ofensiva na Faixa de Gaza, o premiê de Israel, Ehud Olmert, declarou a seu gabinete que o Exército está próximo de atingir seus objetivos, mas que as operações prosseguirão. Ele também disse que, por enquanto, o país não atenderá aos pedidos internacional por um cessar-fogo, incluindo o do Conselho de Segurança da ONU.A terceira fase, que pela primeira vez envolve reservistas, pode elevar ainda mais o número de mortos. Segundo fontes médicas de Gaza, 890 palestinos morreram, sendo pelo menos metade civis. Do lado israelense, há 13 mortos - incluindo dez soldados.O Hamas, de acordo com reportagem do The New York Times, preparou o terreno nos últimos dois anos para combater os israelenses na Faixa de Gaza. O grupo se movimenta em túneis, esconde armas em mesquitas, escolas e casas. O jornal diz também que membros da organização se vestem como civis e se misturam à população. Israel acusou líderes do Hamas de estarem escondidos em missões diplomáticas e até em um bunker sob um hospital.Autoridades israelenses disseram que o Hamas foi duramente atingido em Gaza, com a morte de líderes da organização e dificuldade para se reabastecer de munição. Mas israelenses acreditam que o grupo seguirá lutando.Israel, um dia após lançar panfletos em Gaza para advertir os palestinos, fez nova ofensiva ontem com mensagens pedindo aos moradores que ligassem para autoridades israelenses dando informações sobre membros do Hamas e lugares de lançamento de foguetes. O grupo palestino costuma executar quem colabora com o inimigo. Ontem, ao menos 22 foguetes lançados pelo Hamas atingiram o território de Israel, sem deixar vítimas. Investigação militar de Israel concluiu que um morteiro israelense matou 39 pessoas numa escola da ONU em Gaza. O artefato teve um problema e atingiu o alvo errado. O Exército afirmou ainda que tropas nas colinas do Golan foram alvejadas ontem por disparos vindos da Síria. Nenhum militar ficou ferido. O governo de Israel afirmou que o ataque foi feito por palestinos e isentou Damasco de culpa.

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