Israel avisou que poderia intervir em conflito sírio

Chefe da Força Aérea e vice-premiê fizeram comentários sobre ação militar na Síria

JERUSALÉM, O Estado de S.Paulo

31 de janeiro de 2013 | 02h01

Horas antes do bombardeio na Síria, o chefe da Força Aérea de Israel, general Amir Eshel, disse publicamente que conduzia uma campanha secreta para impedir que armas químicas ou de última geração de Damasco chegassem às mãos do Hezbollah. No domingo, o vice-premiê Silvan Shalom também alertou para os riscos vindos da Síria, ao anunciar o envio do sistema antimíssil israelense à região de fronteira.

Aviões, drones e helicópteros israelenses vigiam a Síria "24 horas por dia, 7 dias por semana, 365 dias por ano", afirmou o general, em discurso durante uma conferência sobre aviação. "Estamos tomando atitudes para reduzir as ameaças imediatas e criar melhores condições para vencer as guerras, quando elas ocorrerem", completou.

No domingo, o vice-primeiro-ministro israelense garantiu em entrevista a uma rádio que Israel agiria se o regime de Bashar Assad perdesse o controle sobre seus arsenais químicos. O maior temor, afirmou Shalom, seria que o grupo xiita libanês Hezbollah tivesse acesso a esse armamento.

"Isso mudaria dramaticamente a capacidade (do Hezbollah), violaria todos os limites e exigiria uma abordagem diferente, incluindo mesmo ações (militares) preventivas", alertou. "No momento em que começarmos a avaliar que isso (a transferência de armas) pode ocorrer, vamos tomar decisões."

Shalom voltou a ser entrevistado ontem sobre a crise síria. Questionado a respeito do bombardeio atribuído a Israel, ele não respondeu e se limitou a dizer que o país integra uma "coalizão" que tenta evitar que a violência da guerra civil envolvendo Assad transborde as fronteiras sírias.

Na semana passada, Israel deslocou baterias de seu sistema antimíssil, conhecido como "Domo de Ferro" - o qual abateu centenas de foguetes no confronto contra o Hamas na Faixa de Gaza, em novembro -, para o norte do país. O motivo é justamente o temor de que a crise na Síria chegue à região.

Israelenses e sírios estão tecnicamente em guerra desde 1973 - nunca houve um acordo selando a paz entre os dois países, apenas um armistício. Embora Assad seja aliado do Hezbollah e do Irã, Bashar Assad garantiu uma fronteira calma com Israel enquanto reinou inconteste em Damasco. / REUTERS

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