JAAFAR ASHTIYEH / AFP
JAAFAR ASHTIYEH / AFP

Israel bloqueia exportações palestinas e aumenta a tensão após plano de paz

Tel-Aviv fecha a passagem de Allenby impedindo a negociação de produtos agrícolas do vizinho com o resto do mundo; em retaliação, palestinos estão barrando a entrada de legumes, frutas e água mineral para israelenses

Redação, O Estado de S.Paulo

10 de fevereiro de 2020 | 06h00

JERUSALÉM - Israel decretou neste domingo, 9, o bloqueio das exportações agrícolas palestinas, como parte de uma disputa comercial que tem se intensificado desde o anúncio do controvertido plano de paz dos Estados Unidos para tentar resolver o conflito entre israelenses e palestinos. O anúncio veio após uma semana tensa, com confrontos que mataram cinco palestinos.

“A partir de hoje a exportação de produtos agrícolas palestinos não será autorizada pela passagem de Allenby (fronteira)”, disse a Cogat, unidade do Ministério da Defesa de Israel responsável por supervisionar as atividades civis nos territórios palestinos.

Controlada por Israel, a passagem de Allenby une a Cisjordânia ocupada à Jordânia, de onde as mercadorias palestinas podem ser enviadas para o resto do mundo. 

Ao fechar essa passagem, Israel bloqueia automaticamente todas as exportações agrícolas palestinas. Isto porque as autoridades já haviam impedido o acesso desses produtos a Israel, de onde poderiam ser enviados para a Europa. Segundo a Cogat, a medida é uma resposta ao “boicote palestino aos bezerros, que prejudicou seriamente os fazendeiros israelenses”.

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Os palestinos suspenderam as importações de bezerros de Israel há cinco meses, sob uma política de “desconexão” econômica progressiva com Israel, que ocupa a Cisjordânia e Jerusalém Oriental. 

Na semana passada, alguns dias após o anúncio pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de seu plano de paz para a região, rejeitado pelos palestinos que o consideram favorável demais para Israel, o Ministério da Defesa de Israel suspendeu a importação de produtos agrícolas da Cisjordânia. 

Segundo o Ministério da Economia da Palestina, as vendas agrícolas a Israel representaram US$ 88 milhões em 2018, cerca de dois terços do total das exportações agrícolas palestinas. Em retaliação, os palestinos bloquearam a entrada de legumes, frutas, refrigerantes, sucos e água mineral em Israel, confirmou o porta-voz do governo palestino, Ibrahim Melhem.

As importações de produtos agrícolas israelenses nos territórios palestinos foram de cerca de US$ 600 milhões em 2018, segundo dados palestinos. 

A Cogat informou ainda que sua decisão de bloquear as exportações da Cisjordânia terminaria “assim que a Autoridade Palestina parar de prejudicar o comércio de gado e o mercado livre”.

O polêmico plano de paz proposto por Trump garante a Israel, entre outras coisas, o controle da disputada Jerusalém e dá o aval para anexar todas as colônias e outras partes da Cisjordânia. Em troca, dá aos palestinos um Estado nas partes restantes da Cisjordânia e de Gaza. 

A proposta americana, anunciada em 28 de janeiro só com a presença do premiê israelense, Binyamin Netanyahu, foi imediatamente rechaçada pelos palestinos.

Ao mesmo tempo que travam uma disputa comercial, a relação entre israelenses e palestinos registrou uma escalada na violência na semana passada, com cinco mortes de palestinos – a última na sexta-feira. 

No dia mais violento, um atropelamento intencional no centro de Jerusalém deixou 14 feridos, a maioria soldados israelenses, na quinta-feira. No mesmo dia, mais cedo, três palestinos foram mortos pelo Exército de Israel, um deles abatido na Cidade Santa, após disparar contra policiais. “É o ‘acordo do século’ que criou essa atmosfera de escalada e essas tensões”, disse o porta-voz de Abbas, Nabil Abu Rudeina, referindo-se ao apelido do projeto americano, na quarta.

No sábado, houve novos embates, com o Exército israelense afirmando que seus tanques atacaram postos militares na Faixa de Gaza, depois que militantes no enclave palestino dispararam um foguete contra o território de Israel.

O Exército indicou que os tanques “tiveram como objetivo (atacar) dois postos militares do Hamas no norte da Faixa de Gaza”, como resposta ao disparo palestino Não houve relatos de danos ou vítimas até o momento.

A ação dos palestinos ativou um alerta “para áreas abertas”, segundo o Exército, pois, tudo indica, o artefato pode ter caído em um terreno aberto. / AFP

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