Israel bloqueia Líbano por terra, mar e ar

A Marinha israelense bloqueou as águas territoriais libanesas, informaram fontes militares israelenses. Uma porta-voz das Forças Armadas israelenses justificou o bloqueio argumentando que "os portos libaneses são usados pela milícia Hezbollah para transportar terroristas e armas". A fonte não informou se o espaço aéreo também será bloqueado, como publicou parte da imprensa local. No entanto, foi confirmado um ataque aéreo de Israel à sede da televisão Al- Manar, do Hezbollah.Um pouco antes, o Exército israelense havia confirmado um ataque aéreo ao aeroporto internacional de Beirute, Rafik Hariri, que imediatamente foi fechado ao tráfego. Um porta-voz das Forças Armadas israelenses disse que o aeroporto foi atacado porque "era utilizado como centro estratégico para a transferência de armas e outros suprimentos ao Hezbollah".O Comando Norte do Exército israelense, responsável pela fronteira com o Líbano, anunciou que suas forças vão atirar em "qualquer terrorista" que chegue a um quilômetro do limite entre os dois países.O Exército israelense confirmou também ter lançado ataque aéreo contra a sede da rede de televisão Al- Manar, da milícia xiita libanesa Hezbollah, que, apesar disso, mantém suas transmissões. Uma fonte militar disse que o prédio da emissora foi atacado "porque foi utilizado durante muitos anos como meio de propaganda, incitação e recrutamento do Hezbollah".Hezbollah contra-atacaO grupo libanês xiita Hezbollah (Partido deDeus) informou na manhã desta quinta-feira (horário local), em comunicado, o lançamento de uma série de foguetes contra posições israelenses na fronteira. Segundo a emissora "A Voz do Líbano", mais de 60 Katyusha caíram em Naharia, ao norte de Israel. De acordo com o Canal 2 de televisão de Israel, uma mulher morreu e outras duas pessoas foram feridas no ataque a Naharia.Centenas de moradores de Naharia, que fica a cerca de 10 quilômetros da fronteira de Israel com o Líbano, estão abandonado a cidade, depois de ruas serem atingidas por dezenas de foguetes disparados pelo Hezbollah.Fontes militares israelenses não descartam a possibilidade de o Hezbollah utilizar foguetes de maior alcance, que possam chegar a cidades bem mais ao sul, como Haifa e Netânia. Por enquanto, as forças de segurança aconselham os moradores daslocalidades do norte do país a permanecer nos abrigos e não consideram necessária uma evacuação em massa. França critica IsraelO ministro de Relações Exteriores francês, Philippe Douste-Blazy, criticou a ofensiva israelense contra o Líbano, que definiu como "uma ação de guerra desproporcional, que obriga toda pessoa que quer entrar no Líbano a passar pelo mar ou pela Síria".O ministro alertou para "o risco" de que o Líbano volte aos "piores anos da guerra, com a fuga de milhares de libaneses que vão querer fugir quando estavam reconstruindo seu país". Também chamou a atenção para o "perigo de uma escalada de violência que pode desestabilizar toda a região". Para evitar que isso aconteça, Paris apóia a reivindicação de Beirute de uma reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU.O diplomata defende que a integridade territorial do Líbano tem de ser respeitada, e pediu "a libertação imediata e incondicional" tanto dos soldados israelenses capturados quanto dos dirigentes do Hamas, "porque o direito internacional não autoriza a captura de autoridades eleitas".A ministra da Defesa, Michèle Alliot-Marie, ressaltou que a situação "não pode perdurar", pois as conseqüências para a região e para todo o mundo podem ser graves. "O que ocorre no Oriente Médio serve também de pretexto ao terrorismo", observou.

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