Israel bombardeia sede de ministério palestino; ofensiva por terra é adiada

Apesar do adiamento de uma ofensiva militar por terra prevista para essa quinta-feira no norte da Faixa de Gaza, Israel manteve a pressão sobre o Hamas, bombardeando mais de dez alvos do grupo na região no início da madrugada desta quinta-feira. No fim da noite, helicópteros dispararam mísseis contra a sede do Ministério do Interior, causando graves danos materiais ao edifício. A aviação atacou ainda escritórios do Hamas e da facção Fatah, uma suposta oficina de fabricação de armas e um campo de treinamento militar. A operação por terra foi suspensa depois que mediadores egípcios pediram mais tempo para negociar com militantes palestinos a libertação do cabo Guilad Shilat, sequantrado por militantes palestinos ligado ao Hamas no domingo.Israel também bombardeou a central que distribui energia para todo o norte do território, segundo testemunhas, deixando parte da região às escuras e ferindo três pessoas. O Exército israelense negou, porém, ter feito esse ataque. Quase dois terços da Faixa de Gaza já estavam sem eletricidade desde quarta-feira, após um ataque à usina de energia de Gaza. Também nesta quinta-feira, o Grupo dos Oito, que reúne os países mais industrializados do mundo, exigiu que os radicais palestinos soltem Shilat e pediu contenção a Israel. Publicamente, os EUA, principais aliados de Israel, apenas fizeram um apelo por moderação ao país. Mas um funcionário do primeiro escalão do Departamento de Estado americano revelou que a Casa Branca pediu a Israel que "aja com cautela", alertando que ações duras em Gaza podem ampliar o apoio dos palestinos ao Hamas e elevar a tensão na região. Os egípcios disseram que o Hamas havia concordado com a entrega do soldado, mas sob condições. Isso indica novo impasse, uma vez que o primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, rejeita qualquer concessão para obter a libertação de Shalit. O presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, líder do partido Fatah, se reuniu em Gaza com o primeiro-ministro Ismail Haniye, do Hamas, em busca de uma saída para a questão da captura do soldado, que agravou a crise político-econômica palestina. Sem recursos para governar por causa de um boicote internacional a seu governo, Haniye está agora sem gabinete, já que vários ministros foram presos por Israel e os demais estão escondidos. Os três grupos que capturaram Shilat no domingo, entre os quais a ala militar do Hamas, exigem a libertação de 95 mulheres e 313 menores palestinos presos em Israel. Segundo indicações da Autoridade Palestina, Shalit é mantido em cativeiro no campo de refugiados de Khan Yunis, no sul da Faixa de Gaza. Matéria alterada às 23h01 de 29/06

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