Israel bombardeia túneis e ameaça voltar a Gaza

Aviões atacaram passagens na fronteira com o Egito e chanceler Livni diz que, se contrabando não cessar, haverá nova ofensiva na região

AP E LAT, O Estadao de S.Paulo

26 de fevereiro de 2009 | 00h00

Israel voltou a bombardear ontem túneis usados por palestinos na fronteira da Faixa de Gaza com o Egito e a chanceler israelense, Tzipi Livni, ameaçou retomar os ataques em larga escala contra a região se "o contrabando de armas" não cessar. Segundo um porta-voz do Exército israelense, foram atacados sete túneis perto da localidade de Rafah em resposta ao lançamento de dois foguetes Kassam do Hamas contra Israel. Explosões ouvidas logo após os ataques seriam um sinal de que as passagens serviam para transportar armamento. "Se o contrabando de armas para Gaza continuar, uma nova operação defensiva de Israel será inevitável e é por isso que a comunidade internacional deve encontrar meios legais e operacionais para pôr um fim a esse problema", disse Livni. Entre dezembro e janeiro, uma ofensiva de Israel contra a Faixa de Gaza destinada a enfraquecer o grupo islâmico Hamas matou mais de 1.300 palestinos. Entre os israelenses, 13 pessoas morreram no conflito.Desde a ofensiva, porém, o Egito tem agido com mais rigor para controlar o contrabando. Depois de rejeitar a presença de tropas internacionais na fronteira, o presidente egípcio, Hosni Mubarak, aparentemente se dispôs a provar que é capaz de controlar toda a extensão de seu território.Por pressão dos EUA e de Israel, foram instalados postos de fiscalização na Península do Sinai. Em Rafah, há rumores de que a polícia egípcia estaria usando informantes para encontrar entradas ocultas de túneis e destruir as passagens com explosivos ou água. Forças extras de segurança apareceram no lado egípcio da fronteira, juntamente com mais câmeras de segurança. "Eles parecem estar levando a sério dessa vez", diz Musab Shurrab, um guarda estacionado a alguns metros da fronteira, ao jornal americano Los Angeles Times. Os palestinos negam que os túneis sejam usados para contrabandear armas e reclamam que, com as fronteiras de Gaza fechadas, muitas vezes essas passagens são a única forma de a população da região obter produtos básicos. "Façam os israelenses o que fizerem, continuaremos aqui", diz Abu Ahmed, que coordena o comércio de produtos por um desses túneis.O auge da construção de túneis em Gaza começou em 2007, quando o Hamas expulsou as forças de segurança da facção rival Fatah e assumiu o controle da região. O grupo fundamentalista autorizava a construção das passagens para romper o bloqueio estabelecido por Israel. As autoridades egípcias toleravam o contrabando na fronteira, aceitando o argumento dos palestinos de que as passagens subterrâneas eram necessárias para evitar que as condições de vida em Gaza se tornassem desesperadoras. Israel, porém, fez do fim do comércio pelos túneis uma prioridade, acusando o Hamas de usá-los para trazer armas e foguetes de longo alcance do Irã.

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