Israel cerca Basílica em Belém e ocupa Nablus

Mais de 200 militantes e policiais palestinos continuavam refugiados nesta quarta-feira em umdos santuários do cristianismo, a Basílica da Natividade, em Belém, onde está a gruta apontada como o local de nascimento de Jesus Cristo.Eles entraram na terça-feira na igreja e no Convento de Santa Maria - de onde conseguiram escapar hoje - depois de manter combates com as tropas israelenses que ocuparam a Praça da Manjedoura, no centro.Doze palestinos e um soldado israelense foram mortos hoje. Dirigentes das igrejas cristãs, entre os quais o patriarcalatino, Michel Sabbah - representante do catolicismo ? tentaram ir de Jerusalém a Belém para mediar um acordo e foram barrados num controle. Cerca de 15 jornalistas e outros estrangeiros que haviam ficado encurralados perto da basílica e num hotel de Belém foram retirados por agentes norte-americanos.O Exército expandiu sua ofensiva nas áreas da Cisjordânia sob controle da Autoridade Palestina, tomando na madrugada a aldeia de Salfit e a cidade de Jenin.Nesta última, houve intensos confrontos com centenas depalestinos. Três militantes - um deles, das Brigadas dosMártires de al-Aqsa, responsável por vários atentados em Israel - um enfermeiro e um garoto de 13 anos foram mortos.À noite, os tanques entraram em Nablus, uma das maiorescidades cisjordanianas. Uma mulher foi morta e cinco outraspessoas feridas numa explosão. Centenas de militantes palestinos e populares armaram barricadas e espalharam bombas nos campos de refugiados ao redor de Nablus e Jenin, mas não conseguiram deter o avanço dos tanques. Estão sob total controle de Israel, Ramallah, Nablus, Tulkarem, Qalqiliya e Jericó. Só duas cidades autônomas, Jericó e Hebron, continuam sob controle da AP.Em Ramallah, o presidente palestino, Yasser Arafat,acompanhado por cerca de 300 pessoas - incluindo policiais,militantes e dezenas de pacifistas estrangeiros - cumpriu hoje o sexto dia de seu confinamento em um prédio da AP por tropas e tanques.A AP exortou a população a mobilizar seus recursos para"empreender uma longa batalha contra a ocupação israelense das áreas autônomas", em um comunicado à noite.Ao mesmo tempo, o primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, reunia seu gabinete de segurança para definir o rumo da ofensiva batizada como "Operação Muralha Protetora" e que não tem prazo definido para acabar. Seu objetivo oficial isolar Arafat e deter os atentados suicidas contra israelenses.O porta-voz do Exército, Ron Kitrey, assegurou que Israel não usará a força para remover os palestinos da basílica, mas de modo nenhum os deixará livres."Dezenas de palestinos armados, alguns implicados em atosterroristas, estão escondidos ali e exploram de modo cínico uma igreja", declarou o porta-voz de Sharon, Raanan Gissin,acrescentando que o país está em contato com o Vaticano "para pôr fim a esse assunto".O Vaticano criticou duramente Israel por impor condições"injustas e humilhações aos palestinos" e também denunciou os atos de terrorismo contra esse país.Em Belém, Uma mulher e seu filho foram mortos a tiros por soldados israelenses, depois que ela se negou a abrir a porta de sua loja. Os cadáveres de quatro combatentes mortos na terça-feira continuam na rua porque os serviços de resgate nãopodem aproximar-se da praça.

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