Israel começa reforma do acesso à Esplanada das Mesquitas

Israel começou hoje, sob rígidas medidas de segurança, a reforma de um dos acessos à Esplanada das Mesquitas. A obra é considerada pelos líderes islâmicos palestinos uma ameaça à mesquita de Al-Aqsa, a terceira na hierarquia do Islã.As obras de remodelação do acesso são realizadas na parte que liga a Esplanada, na altura da mesquita de Al-Aqsa, ao extremo sul do Muro das Lamentações, um trecho geralmente usado por turistas e não-muçulmanos.Arqueólogos e operários da Autoridade de Antiguidades israelense começaram os trabalhos protegidos por tropas policiais não apenas no local das obras, mas em toda a cidade murada, para prevenir tumultos por parte da população muçulmana, informaram fontes policiais.Apoiadores do Hamas organizaram um protesto contra o governo de Israel, por não concordarem com as reformas na Mesquita de Al-Aqsa, em Gaza, nesta terça-feira.As escavações estão sendo feitas em um dos solos sagrados mais disputados do mundo. O local tem sido área freqüente de combate entre israelenses e palestinos, que não concordam com a reforma com medo que esta possa danificar o templo sagrado."Trata-se do mesmo posicionamento preventivo que adotamos em dias festivos, tanto muçulmanos quanto judeus, ou em algumas ocasiões especiais e que incluem certas restrições de acesso e uma maior presença de patrulhas policiais pela cidade velha", disse à agência Efe um porta-voz da Polícia israelense, Miki Rosenfeld.Uma das restrições proíbe o acesso de palestinos do sexo masculino maiores de 45 anos à Esplanada das Mesquitas nos próximos dias, além de turistas e visitantes não autorizados.Segundo o porta-voz, a Esplanada, ou Monte do Templo, "estará fechada durante toda o dia de hoje"."Esta medida foi adotada em concordância com o Comitê Superior Islâmico (Wakf)", comitê que administra os lugares sagrados para os muçulmanos, de acordo com o porta-voz.Na segunda-feira, após a violenta reação de alguns líderes palestinos locais, o chefe político do Hamas no exílio, Khaled Mashaal, advertiu em Damasco que "Israel está brincando com fogo e conhece as conseqüências de tocar em Al-Aqsa".Mashaal pediu aos palestinos para deixarem de lado as disputas internas e protegerem o santuário muçulmano.O Monte do Templo é o nome dado pelos judeus ao local onde se encontram as mesquitas de Al-Aqsa e Domo da Rocha, terceiro maior santuário islâmico depois de Meca e Medina, e conhecido pelos muçulmanos como "Al-Haram esh-Sharif", o "Nobre Santuário".Trata-se do mesmo lugar no qual os arqueólogos situam os restos do Segundo Templo de Jerusalém, o infame templo de Hérodes, e, portanto, um dos principais empecilhos para a resolução do conflito palestino-israelense.Nessa Esplanada aconteceu a segunda Intifada - a da mesquita de Al-Aqsa - em 28 de setembro de 2000, após uma polêmica visita do então líder da oposição e mais tarde primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon.O ProjetoO objetivo das obras atuais, segundo a Autoridade de Antiguidades, é substituir uma rampa de madeira construída há três anos, depois que um terremoto destruiu a rampa anterior de pedra e cimento, para levantar outra, também fixa.A nova rampa, construída sobre oito pilares de concreto e três vezes mais longa que o planejado, passarápor cima de um dos sítios arqueológicos mais importantes do mundo, o que também desperta o receio de arqueólogos israelenses.Em 1996, escavações israelenses perto dali provocaram protestos em que 61 árabes e 15 soldados israelenses morreram. Duas escavadeiras começaram a retirar o calçamento no pé da rampa, que foi danificada por uma tempestade de neve e por um terremoto em 2004. Depois que ficar certificado que não há artefatos, poderá ser construída a passarela de 100 metros.

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