REUTERS/Amir Cohen
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Israel começará a construir muro subterrâneo ao redor de Gaza

De acordo com o jornal 'Yedioth Ahronoth', barreira começará a ser erguida em 40 pontos simultâneos em até três meses e deverá ficar pronta em dois anos; custo da obra é estimado em US$ 810 milhões

O Estado de S.Paulo

27 de março de 2017 | 12h13

TEL-AVIV - O Ministério da Defesa de Israel começará a construir um muro subterrâneo de concreto ao redor da Faixa de Gaza nos próximos três meses com objetivo de neutralizar os túneis feitos pelo movimento islamita Hamas, informou nesta segunda-feira, 27, o jornal "Yedioth Ahronoth".

A ideia de um muro que separe os dois territórios abaixo da superfície começou a ser cogitada há vários anos, quando a guerra de 2014 que confrontou Israel e Hamas revelou a vulnerabilidade da fronteira.

O projeto "Obstáculo" consiste na construção de um muro ao longo de 65 quilômetros, desde o Mar Mediterrâneo no norte de Gaza até a passagem de Kerem Shalom, no sul, onde confluem as fronteiras de Israel, Gaza e Egito, e o governo israelense espera tê-lo pronto em dois anos.

Os trabalhos começaram de forma experimental há alguns meses ao longo de um trecho fronteiriço de algumas centenas de metros, a fim de verificar sua viabilidade e eficácia, uma vez que será dotado também de sensores eletrônicos para detectar qualquer tentativa de perfuração.

Nos próximos três meses, segundo o jornal, centenas de veículos e maquinaria pesada serão enviados à área sob estrita vigilância do Exército para começar os trabalhos em 40 pontos diferentes de forma simultânea.

O projeto custará aos cofres públicos israelenses cerca de US$ 810 milhões, que se somam aos US$ 324 milhões já investidos na busca de soluções tecnológicas para a detecção destes túneis.

Histórico. Pelo menos 20 soldados israelenses morreram em 2014 em emboscadas de milicianos do Hamas que cruzaram a fronteira sob a terra no que Israel denomina de "túneis ofensivos" - surpreendendo as linhas israelenses pelas costas - ou saindo de outros que foram construídos dentro da própria Gaza com propósitos defensivos.

O ministro da Defesa israelense, Avigdor Lieberman, garantiu no domingo em uma conversa com internautas pelas redes sociais que dessas estruturas ofensivas restam "muito menos de 15", em meio a um debate no país pelo relatório apresentado recentemente pelo Supervisor do Estado sobre a guerra de 2014.

Esse relatório apontava uma falta de preparação de Israel na hora de enfrentar essa ameaça de Gaza, sob bloqueio terrestre, marítimo e aéreo desde que o Hamas tomou seu controle em 2007.

Em alguns trechos o muro subterrâneo de concreto será elevado também acima da superfície, onde hoje existe uma cerca eletrônica que não oferece segurança suficiente à população israelense ao redor da Faixa.

Sua construção é analisada em todos os níveis pelos estamentos militares de Inteligência, que acreditam que a chegada em massa de maquinaria pesada poderia provocar uma escalada e um novo enfrentamento na região.

Yossi Yehoshua, comentarista militar do jornal, opinou que o Hamas pode reagir com ataques à possibilidade de ver neutralizada seu principal arma dissuasória contra Israel, dado que o muro romperia o balanço estratégico gerido há dois anos e meio. / EFE

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