Israel complica negociações de paz ao anunciar ampliação de assentamentos

Estados Unidos e União Europeia criticam novas construções na Cisjordânia

TEL-AVIV, O Estado de S.Paulo

28 Setembro 2011 | 03h04

O governo israelense aprovou ontem a construção de mais 1.100 residências para colonos judeus nos assentamentos que ocupam na Cisjordânia. A ação de Israel ocorreu na véspera de o Conselho de Segurança das Nações Unidas iniciar a discussão do pedido de reconhecimento do Estado palestino, feito pelo presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, na Asembleia-Geral da ONU, na sexta-feira.

 

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Além de complicar os esforços para a retomada da negociação de paz entre árabes e israelenses, a autorização para a expansão dos assentamentos provocou a reprovação da comunidade internacional. Para os palestinos, a suspensão de novas construções nos assentamentos da Cisjordânia é uma das principais precondições para um início de conversa com os israelenses.

 

 
De acordo com a decisão do governo de coalizão de direita liderado pelo primeiro-ministro israelense, Binyamin Bibi Netanyah, as novas construções serão erguidas em Gilo, perto de Jerusalém. A Comissão de Planejamento Distrital da cidade pretende que 20% das novas moradias sejam destinadas para jovens casais, segundo informou o jornal israelense Haaretz, de acordo com a orientação do ministro do Interior israelense, Eli Yishai.

O plano prevê ainda a construção de estrutura urbana para integrar o complexo habitacional, como um calçadão e um centro comercial. As obras deverão começar em 60 dias. Nos últimos dez anos, o ritmo de crescimento dos assentamentos judaicos é duas vezes superior ao das construções em território israelense, segundo o grupo pacifista israelense Paz Agora.

Condenação geral. A decisão de Israel foi criticada em coro pelo Ocidente. A Grã-Bretanha exigiu que a proposta seja "revogada", enquanto os EUA afirmaram estar "profundamente desapontados". A secretária de Estado americana, Hilary Clinton, disse que a medida do governo israelense é "contraproducente" para a retomada das negociações diretas entre Israel e palestinos. "Como você sabem, há muito tempo temos pedido para que os dois lados evitem ações que possam minar a confiança; mais especificamente, em Jerusalém, qualquer ação que possa ser vista como provocativa por qualquer lado", disse.

Em 2009, o presidente americano, Barack Obama, afirmou que construções em Gilo, especificamente, poderiam complicar os esforços de sua administração para a retomada das negociações de paz e enfurecer os palestinos, segundo o Haaretz.

A chefe de política externa da União Europeia, Catherine Ashton, afirmou ter ouvido a notícia com "profundo pesar" e classificou a medida como uma ameaça "à viabilidade para uma solução de dois Estados negociada" diretamente entre palestinos e israelenses.

"(A retomada das construções) manda um sinal errado nesse momento sensível", afirmou o porta-voz das Nações Unidas Richard Miron, num comunicado oficial.

O Quarteto composto por EUA, União Europeia, Rússia e ONU havia proposto que israelenses e palestinos voltassem às negociações diretas de paz em um mês; e pedido que nenhuma das partes tomasse decisões unilaterais que pudessem impedir as novas conversas. "É mais fácil falar em retomar as negociações do que obter avanços concretos nesse sentido", afirmou ontem B. Lynn Pascoe, chefe político da ONU, ao Conselho de Segurança da entidade internacional.

Os governos da Espanha a da Suécia também condenaram a medida.

Saeb Erekat, o principal negociador da Autoridade Palestina (AP), afirmou que as novas unidades habitacionais representam "1.100 nãos à declaração do Quarteto". / REUTERS e AP

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