Israel confirma alívio de bloqueio a Gaza

Governo israelense formula lista de produtos que entrarão no território palestino; ONU distribui suprimentos que estavam na Frota da Liberdade

, O Estado de S.Paulo

16 de junho de 2010 | 00h00

Israel está estudando maneiras de reduzir o bloqueio imposto à Faixa de Gaza, informou um dos integrantes do gabinete do primeiro-ministro Binyamin "Bibi" Netanyahu. Ontem, funcionários das Nações Unidas distribuíram no território palestino toneladas de alimentos que estavam a bordo da Frota da Liberdade, o alvo da ação israelense que deixou nove turcos mortos, há três semanas.

Para o ministro do Bem-Estar de Israel, Isaac Herzog, chegou a hora de "encerrar" o cerco a Gaza "em sua forma atual". O bloqueio, afirmou Herzog à Rádio do Exército, não tem "nenhum valor" e "causa grandes problemas para a imagem" de Israel.

Uma autoridade israelense disse à Reuters que assessores de Netanyahu estão formulando uma lista ampla de produtos que passarão a ter entrada livre no território palestino. Israel argumenta que o bloqueio impede o grupo islâmico Hamas de rearmar-se. No entanto, palestinos, ONGs, ONU e União Europeia (UE) denunciam os efeitos do cerco na população civil do território mediterrâneo (mais informações nesta página).

Ainda segundo Herzog, Israel avisou que aliviará o bloqueio a Gaza ao ex-premiê britânico Tony Blair, atual representante do chamado "quarteto", formado por EUA, Rússia, UE e ONU. Blair, por sua vez, teria feito uma breve apresentação sobre o recuo israelense a chanceleres do bloco europeu."Até o momento, eles estão trabalhando em questões técnicas, numa fórmula que também impedirá o contrabando de armamento para dentro de Gaza", disse Herzog.

Blair não revelou detalhes da nova posição israelense. Ele apenas disse ontem a repórteres que o bloqueio israelense a Gaza será aliviado "dentro de dias".

Na semana passada Israel autorizou a entrada de lanches e refrigerantes em Gaza - itens até então vetados por "questões de segurança". Não está claro se o governo israelense permitirá, agora, o ingresso de cimento. Sem o material, moradores de Gaza não conseguem reparar os grandes estragos causados pela ofensiva israelense no território palestino no início de 2009.

Flotilha. Robert Serry, enviado da ONU ao Oriente Médio, notificou ontem o Conselho de Segurança da organização que tanto Israel quanto os organizadores da Frota da Liberdade aceitaram, "em caráter excepcional", distribuir em Gaza os mantimentos apreendidos na tragédia do dia 31.

A ajuda será administrada pela própria ONU que "determinará ainda seu uso apropriado", disse Serry.

A carga havia sido apreendida pela Marinha de Israel na ação em águas internacionais que deixou nove ativistas mortos. A ação provocou duras condenações a Israel.

PARA ENTENDER

Israel oficializou o embargo naval e terrestre à Faixa de Gaza em 2006, quando o Hamas venceu o rival Fatah em eleições reconhecidas internacionalmente. O bloqueio, contudo, foi significativamente ampliado a partir de 2007, depois que o Hamas expulsou o Fatah do território e passou a governar Gaza sozinho. A situação tornou-se ainda mais dramática com a ofensiva de Israel ao território, no início de 2009, que arrasou a já frágil infraestrutura do enclave palestino.

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