Mohammed Salem/REUTERS
Mohammed Salem/REUTERS

Israel vacinará palestinos com licença de trabalho

Segundo o anúncio, 130 mil trabalhadores serão imunizados nos próximos dias; para a Human Rights Watch, medida é insuficiente

Redação, O Estado de S.Paulo

28 de fevereiro de 2021 | 15h58
Atualizado 28 de fevereiro de 2021 | 22h09

JERUSALÉM - O governo israelense anunciou neste domingo, 28, que vacinará os palestinos da Cisjordânia que têm permissão para trabalhar em Israel e nos assentamentos judaicos nos territórios ocupados. Os palestinos receberam apenas 32 mil doses até agora – principalmente de doações de Rússia e Emirados Árabes – e estão muito atrás de Israel, que vacinou mais de um terço de sua população em uma das campanhas de imunização mais rápidas do mundo. 

Depois de enfrentar críticas por não estender sua campanha aos palestinos na Cisjordânia ocupada e em Gaza, Israel concordou no mês passado em dar às autoridades de saúde palestinas 5 mil doses do laboratório Moderna, mas havia entregue apenas 2 mil até este domingo. Israel alega que a Autoridade Palestina é responsável por seu sistema de saúde após a assinatura dos Acordos de Oslo, em 1993.

Em um compromisso muito maior, a unidade militar israelense responsável pelas questões civis nos territórios palestinos disse neste domingo que oferecerá vacinas Moderna para os cerca de 130 mil palestinos que trabalham em Israel ou nos assentamentos judaicos.

As campanhas de vacinação, que começarão nos próximos dias, ocorrerão nas passagens de fronteira entre Israel e Cisjordânia, assim como dentro das colônias. Nos postos de controle, as vacinas serão aplicadas por equipes médicas palestinas.

Milhares de palestinos que trabalham nos setores industriais e de serviços israelenses já foram vacinados em particular por seus empregadores em Israel, disse Shaher Saad, secretário-geral da União dos Trabalhadores Palestinos. 

Omar Shakir, diretor de Israel e Palestina da Human Rights Watch, disse que Israel foi obrigado pela lei internacional a vacinar os palestinos que vivem sob seu controle efetivo. “Vacinar apenas os palestinos que entram em contato com israelenses reforça que, para as autoridades israelenses, a vida palestina só importa na medida em que afeta a vida judaica”, declarou.

A comunidade internacional apelou a Israel que garanta a imunização de todos os palestinos na Cisjordânia ocupada e em Gaza após a revelação, na semana passada, de que estava doando doses da Moderna a países aliados. As doações foram suspensas depois que o procurador-geral pediu esclarecimentos sobre a iniciativa.

A Autoridade Palestina espera receber quase 2 milhões de doses de vários fabricantes, além das doses do programa Covax, respaldado pela ONU e criado para ajudar os países mais pobres a adquirir vacinas, mas a Cisjordânia e a Faixa de Gaza têm, juntos, uma população de 5,2 milhões.

Festa do Purim

Judeus ultraortodoxos atacaram neste domingo a polícia israelense a pedradas durante a festa religiosa do Purim, elevando as tensões sobre o respeito às restrições sanitárias impostas contra o novo coronavírus. Dezenas de ultraortodoxos jogaram pedras e outros objetos contra os agentes que foram retirar bonecos, que representavam policiais, pendurados nos fios elétricos no bairro de Mea Shearim em Jerusalém. Os manifestantes chamaram as forças policiais de “nazistas”.

A festa do Purim comemora, segundo a tradição judaica, a vitória dos judeus contra um vizir do Império Persa no século 5º antes de Cristo. Tradicionalmente, são celebrados desfiles de carnaval e festas com fantasias. Mas, ao temer um aumento dos casos de contágio, Israel, que está saindo lentamente de um terceiro confinamento, decretou toque de recolher noturno durante a festividade, que começou na quinta-feira e terminou ontem. A polícia também tentou impedir o acesso de israelenses a Jerusalém para as festividades. Em 2020, as autoridades proibiram as reuniões para a festa, mas restrições não foram respeitadas, o que provocou uma onda de contágios nos dias seguintes. /AFP

 

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