Israel confisca 400 hectares de terra da Cisjordânia para assentamentos

Conflito. Avanço do domínio israelense sobre território administrado pela Autoridade Palestina é o maior anunciado em 30 anos; Washington afirma que decreto prejudica ainda mais o processo de paz e pede que governo de Binyamin Netanyahu reveja planos

ISABEL KERSHNER , THE NEW YORK TIMES / JERUSALÉM, O Estado de S.Paulo

02 de setembro de 2014 | 02h01

Israel expropriou no domingo quase 400 hectares da Cisjordânia num bloco de assentamento judaico perto de Belém - medida que emite sinais de uma expansão israelense significativa na área - e ignorou os pedidos palestinos para que o país interrompa a construção de novas residências para colonos.

A Peace Now, organização israelense contrária à construção de assentamentos na Cisjordânia, disse que a ação pode ser o maior confisco isolado em décadas e deve "mudar dramaticamente a realidade" na área. Os palestinos pretendem formar um Estado nas terras que Israel ocupou na Guerra dos Seis Dias, de 1967.

A diretriz política de revisar a situação do local veio depois que três adolescentes israelenses foram sequestrados e mortos em junho enquanto pediam carona nessa área.

Em julho, as autoridades israelenses prenderam um palestino que foi acusado de ser o principal agente do sequestro e morte dos adolescentes. O momento do confisco de terra sugere que a intenção é compensar os colonos e punir os palestinos.

A porção territorial, que fica perto do assentamento de Gvaot, no bloco Etzion, de Jerusalém, foi oficialmente declarada "terra estatal", abrindo caminho para a potencial aprovação de planos de construção israelenses no local.

Mas o prefeito da cidade palestina próxima de Surif, Ahmad Lafi, disse que a terra pertencia a famílias palestinas. Ele disse à agência palestina oficial Wafa que o Exército israelense anunciou no domingo o confisco da terra, na qual os proprietários cultivavam oliveiras.

O sequestro dos adolescentes acarretou uma repressão militar israelense na Cisjordânia contra o Hamas, o grupo islâmico que domina Gaza e estaria por trás dos sequestros, segundo Israel.

As tensões subsequentes ao longo da fronteira entre Israel e a Faixa de Gaza causaram uma guerra de 50 dias que terminou na semana passada com um cessar-fogo intermediado pelo Egito.

O confisco de terra chamou rapidamente a atenção para a Cisjordânia ocupada por Israel e expôs as visões contraditórias no governo israelense que dificultam as perspectivas de qualquer processo de paz israelense-palestino mais amplo.

Nabil Abu Rudeinah, porta-voz do presidente Mahmoud Abbas, da Autoridade Palestina, condenou o anúncio e pediu a suspensão do confisco de terra, dizendo que "deteriorará ainda mais a situação".

Embora Israel diga que pretende manter o bloco de Etzion em qualquer eventual acordo permanente com os palestinos e a maioria dos planos de paz recentes ter envolvido troca de terras, a maioria dos países considera os assentamentos israelenses uma violação da lei internacional.

A construção contínua tem sido uma fonte constante de tensão entre Israel e os palestinos, e também entre Israel e seus mais importantes aliados no Ocidente.

Um funcionário do Departamento de Estado dos Estados Unidos, que falou sob a condição de anonimato, disse que Washington insistia para que Israel revertesse sua decisão, que qualificou de "contraproducente para o objetivo declarado de Israel de uma solução negociada de dois Estados com os palestinos".

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