Israel contrata advogados para crimes de guerra

O Ministério de Assuntos Exteriores israelense contratou advogados europeus para defender militares e políticos que forem detidos na Europa suspeitos de terem cometido ou promovido crimes de guerra durante o conflito com o Hezbollah no Líbano ou contra os palestinos.O ministério e a Procuradoria Geral do Estado alertam sobre uma onda de ações judiciais que podem ser apresentadas em breve contra membros do Governo israelense devido a expressões usadas durante o conflito.Um deles pode ser o ministro de Estado Eli Yishai, do Partido ortodoxo Shas, que sugeriu publicamente que o melhor método para combater os foguetes Katyusha do Hisbolá seria "destruir aldeias libanesas inteiras".Segundo o jornal, funcionários do ministério foram informados que organizações internacionais na Bélgica, no Marrocos e na França pretendem processar personalidades políticas e oficiais militares.O assessor jurídico do ministério, Aharón Kenan, afirma em um documento reservado que "há sinais que indicam que estamos às portas de uma difícil batalha jurídica e de informação".Kenan ressalta no relatório que boa parte das acusações se baseiam em declarações à imprensa de políticos e oficiais que falavam em "limpar" ou "destruir" aldeias libanesas para neutralizar a milícia do Hezbollah durante o conflito encerrado em 14 de agosto.O diretor do Departamento Internacional da Procuradoria Geral, Gil Levertov, preside uma equipe de especialistas e mantém relações com seus colegas dos ministérios de Justiça de países europeus, como Suécia, Bélgica e Reino Unido, a fim de encontrar uma solução para os problemas que podem gerar uma cadeia de ações judiciais.O jornal afirma que advogados da Europa especializados em direito penal já foram contratados para defenderem políticos ou militares israelenses que sejam detidos em países europeus acusados de crimes de guerra."Mantemos contatos discretos com os europeus a fim de encontrar uma saída legal elaborada mutuamente para o caso de essa situação ocorrer", afirmou um funcionário do Governo.Segundo o funcionário, não identificado pelo jornal, vários desses países não desejam "essa complicação",mas ela pode vir a ocorrer, já que há leis que permitem julgar criminosos de guerra que tenham cometido seus crimes em outros Estados.

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