VASSIL DONEV / EFE
VASSIL DONEV / EFE

Israel cumprimenta EUA por novas sanções contra o Irã

Premiê Benjamin Netanyahu chamou medida de Trump de 'iniciativa histórica' e agradeceu a Casa Branca

O Estado de S.Paulo

03 Novembro 2018 | 18h05

O premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, elogiou o presidente Donald Trump pela decisão de voltar a impor sanções econômicas ao Irã, considerado o principal inimigo do governo israelense.

"Obrigada, presidente Trump, por esta iniciativa histórica", afirmou Netanyahu em  comunicado. "Depois de anos, lancei chamados para que as sanções sejam novamente integralmente impostas ao regime assassino iraniano, que ameaça o mundo inteiro."

Seis meses após se retirar do acordo nuclear iraniano firmado em 2015, os Estados Unidos confirmaram na última sexta-feira, 2, que irão restabelecer sanções mais duras contra Teerã, que afetam principalmente o petróleo e os bancos.

A Casa Branca alega que o governo iraniano prossegue secretamente seu programa nuclear e desenvolve uma bomba atômica.

"Os efeitos das sanções iniciais já são sentidos, o rial cai, a economia iraniana está em declínio e os resultados são evidentes", acrescentou Netanyahu. 

Desde 24 de outubro, o Departamento de Estado americano publica no Twitter as 12 condições de Washington para um "acordo global" com o Irã. Entre elas destacam-se restrições mais firmes e duradouras sobre o programa nuclear, assim como o fim da proliferação de mísseis balísticos e de atividades consideradas "desestabilizadoras" de Teerã em países vizinhos.

Washington não esconde a sua intenção de reproduzir a estratégia utilizada com a Coreia do Norte, pois seu líder, Kim Jing Un, se comprometeu com a "desnuclearização" depois de uma reunião histórica com Trump, cujo contexto era uma escalada verbal e o reforço das sanções internacionais. O presidente repete que está disposto a se reunir com dirigentes iranianos.

Para obrigá-lo a cumprir as suas condições, o governo americano pretende impor as sanções "mais fortes da história", pois são esperadas novas medidas punitivas nos próximos meses. Elas preveem punição, impedindo o acesso ao mercado americano, a todos os países ou empresas que continuarem comprando petróleo ou fazendo negócios com os bancos da República Islâmica.

Além disso, o Departamento do Tesouro pedirá que o Irã saia do circuito bancário internacional Swift e anunciou que adicionou 700 pessoas e entidades à lista de alvos das sanções. "O objetivo é privar o regime das receitas que ele usa para semear a morte e a destruição em todo o mundo", declarou o secretário de Estado americano, Mike Pompeo.

Oito países serão autorizados a continuar a comprar petróleo iraniano por ao menos seis meses. A listas desses países será anunciada na segunda-feira. 

Líder iraniano faz duras críticas aos EUA

Guia supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei fez duras críticas ao governo Trump e afirmou que o presidente está travando uma guerra “militar, econômica e midiática” contra o país do Oriente Médio.

"Este novo presidente americano [...] desacreditou o que restava do prestígio dos Estados Unidos e da democracia", disse Khamenei em sua conta no Twitter. "O poder de coerção dos Estados Unidos, usando seu poder econômico e militar, também está diminuindo. A disputa entre os Estados Unidos e o Irã dura 40 anos e eles agiram muitas vezes contra nós.”

Segundo Khamenei, "nesta disputa, os perdedores são os Estados Unidos e o vencedor é a República Islâmica".

A União Europeia, a França, o Reino Unido e a Alemanha, signatários com a China e a Rússia do acordo escrito para impedir o Irã de adquirir a bomba atômica, disseram que lamentam a decisão americana. Todas as sanções haviam sido suspensas como parte do acordo nuclear.

O presidente iraniano, Hassan Rohani, arquiteto do acordo nuclear, começou uma tímida reaproximação com o governo americano de Barack Obama com a assinatura do texto histórico que encerrou anos de isolamento do Irã. Mas a eleição de Trump mudou a situação. / AFP

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