Israel dá a entender que realizou ataque contra Síria

O ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, deu a entender neste domingo que seu país esteve por trás do ataque aéreo contra a Síria, ocorrido na quarta-feira, dizendo que as ameaças israelenses de adotar ações antecipadas contra seus inimigos não é vazia. "Estamos falando sério", afirmou Barak. Foram os primeiros comentários públicos de seu governo sobre o ataque que, segundo autoridades dos Estados Unidos, teve como alvo um comboio que levava armamento antiaéreo para o grupo militante Hezbollah, no vizinho Líbano.

EQUIPE AE, Agência Estado

03 de fevereiro de 2013 | 19h25

Barak levantou a questão durante uma reunião de diplomatas e autoridades de defesa dos principais países do mundo, realizada na Alemanha. Inicialmente ele disse "não posso adicionar nada ao que vocês têm lido nos jornais sobre o que aconteceu na Síria alguns dias atrás". Dirigindo-se à plateia em inglês, ele acrescentou "eu continuo a dizer francamente que nós afirmamos que achamos que não deveria ser permitido o envio de sistemas avançados de armas para o Líbano".

Israel ainda não havia se pronunciado oficialmente a respeito do ataque a um local próximo a Damasco, mas a intervenção do ministro foi indiscutível. Durante os 22 meses de guerra civil na Síria, os líderes israelenses expressaram repetidamente sua preocupação com os perigos de os armamentos sírios caírem nas mãos do Hezbollah e de outros elementos hostis na região. Durante anos, os líderes israelenses têm expressado temores de que o território sírio se desintegre e o presidente Bashar Assad perca o controle de suas armas químicas e convencionais.

Após os comentários do ministro da Defesa de Israel, o primeiro-ministro da Turquia, Tayyip Erdogan, acusou Israel de lançar um "terrorismo de estado" ao condenar o ataque aéreo à Síria como uma violação inaceitável da lei internacional. "Não se deve esperar nada dos que estão tratando Israel como uma criança mimada", afirmou Erdogan. "Como eu já disse e digo novamente, Israel tem uma mentalidade de espalhar o terrorismo de estado", e acrescentou "não podemos considerar a violação do espaço aéreo como aceitável. O que Israel fez está completamente contra as leis internacionais e é passível de condenação", afirmou Erdogan.

Autoridades dos EUA disseram que o alvo era um comboio de sofisticados mísseis russo SA-17. Com a preparação das tropas no Líbano, eles podem limitar a capacidade de Israel de coletar informações aéreas sobre seus inimigos.

O Exército sírio afirmou, porém, que o alvo dos aviões de Israel era um centro de pesquisa científica. A instalação fica perto de Jamraya, noroeste de Damasco. Supostas imagens do local atingido, divulgadas pela televisão estatal síria no sábado, mostram carros, caminhões e veículos militares destruídos. Um prédio teve seus vidros quebrados e há danos no interior da edificação, mas sem grandes problemas estruturais.

Após o ataque, o embaixador da Síria no Líbano, Ali Abdul-Karim Ali, disse que Damasco "tem a opção e a capacidade de retaliar de surpresa", mas que dependia das autoridades escolher o momento e o local em que isso será feito. Por outro lado, líderes opositores e rebeldes criticaram Assad na sexta-feira por ele não ter respondido ao ataque, chamando o fato de prova da fraqueza e aquiescência com Israel.

O chefe da poderosa Guarda Revolucionária do Irã declarou, neste domingo, que Teerã também espera que a Síria revide o ataque israelense. A agencia oficial notícias iraniana citou o general Mohammad Ali Jafari dizendo que "esperamos que a Síria dê uma resposta apropriada ao ataque, no tempo certo."

Na noite de sábado, o primeiro ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que está no processo de formação de uma nova coalizão, disse que seu novo governo terá de lidar o fato de que armas "estão sendo estocadas perto de nós e ameaçam nossas cidades e civis", numa aparente referência à deterioração da situação na Síria.

Em Munique, Barak disse que "o Hezbollah, no Líbano, e os iranianos são os únicos aliados que Assad ainda tem". Ele declarou também que acredita que a queda de Assad "é iminente" e que quando isso acontecer "será uma grande golpe para os iranianos e o Hezbollah". "Eu acho que eles pagarão o preço", afirmou.

Na Síria, Assad disse durante encontro com uma importante autoridade iraniana que seu país pode confrontar qualquer agressão, seu primeiro comentário desde o ataque aéreo. "A Síria com a aprovação de sua população é capaz de enfrentar os desafios atuais e confrontar qualquer agressão que tenha como alvo o povo sírio", afirmou Assad à agência estatal de notícias SANA. As informações são da Dow Jones e Associated Press.

Tudo o que sabemos sobre:
IsraelataqueSíria

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.