Israel dá aval a nova colônia judaica na Cisjordânia

Em uma decisão polêmica, Israel abriu hoje licitação para a construção de um assentamento judaico em Maskiot, no norte da Cisjordânia, próximo do Rio Jordão. O lugar, cercado por comunidades palestinas, é hoje habitado por dez famílias ultraortodoxas, instaladas em trailers. "Tomar essa decisão enquanto Bibi visita Washington envia apenas uma mensagem: Israel continuará com sua velha política e não concederá aos palestinos seus direitos", atacou Sabri Saidam, membro da Autoridade Nacional Palestina (ANP).

AE-AP, Agencia Estado

18 de maio de 2009 | 19h54

O processo de licitação foi anunciado enquanto o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, se encontrava com o presidente dos EUA, Barack Obama - cujo governo já condenou a expansão israelense em território palestino. Até a noite de hoje, os Estados Unidos não se haviam pronunciado especificamente sobre a expansão. Além da colonização da Cisjordânia, Israel e EUA divergem quanto à formação de um Estado palestino. O novo gabinete israelense, liderado pelo direitista Netanyahu, ignora o termo "Estado" em detrimento de fórmulas calcadas no desenvolvimento econômico. Mas o governo Obama defende a criação de um Estado soberano na Cisjordânia e na Faixa de Gaza.

Israel havia sido condenado quando, em 2006, anunciou planos de construção de moradias em Maskiot. Segundo críticos, a ação violaria compromissos internacionais firmados na década de 1990 que previam o fim da expansão de assentamentos nos territórios palestinos. A construção, portanto, seria ilegal. O projeto acabou congelado até que, em julho, o ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, emitiu uma licença para a construção. Barak foi o único membro do primeiro escalão a sobreviver à mudança de governo em Israel, que passou do centrista Ehud Olmert ao direitista Netanyahu, em janeiro.

Colonos justificam que Maskiot não é, tecnicamente, um novo assentamento, já que a área é ocupada por uma base do Exército de Israel desde os anos 1980. Hagit Ofran, do movimento pacifista israelense Paz Agora, discorda. Segundo ele, levar civis a Maskiot altera o status do território. "Em todos os aspectos, trata-se de um novo assentamento", disse Ofran. O governador local, David Elhaiini, garantiu que não há relação entre a abertura da licitação e a viagem de Netanyahu a Washington. "Todo o processo está sendo conduzido obedecendo as leis. Não nos pautamos pelo momento (do encontro em Washington)", disse Elhaiini.

Hoje, representantes de empreiteiras visitaram Maskiot para analisar a viabilidade do projeto. Se levado adiante, o assentamento contará com cerca de dez casas, além de postos de segurança para evitar ataques. As famílias que ocupam Maskiot foram retiradas de assentamentos da Faixa de Gaza em 2005, durante o governo Ariel Sharon. Elas receberam indenizações do Estado pelas desapropriações.

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