Israel dá aval a nova colônia na Cisjordânia

Anunciado com Bibi nos EUA, assentamento irrita palestinos

ASSOCIATED PRESS, O Estadao de S.Paulo

19 de maio de 2009 | 00h00

Em uma decisão polêmica, Israel abriu ontem licitação para a construção de um assentamento em Maskiot, no norte da Cisjordânia, próximo do Rio Jordão. O lugar, cercado por comunidades palestinas, é hoje habitado por dez famílias ultraortodoxas, instaladas em trailers. O processo de licitação foi anunciado enquanto o primeiro-ministro de Israel, Binyamin "Bibi" Netanyahu, se encontra com o presidente dos EUA, Barack Obama - cujo governo já condenou a expansão israelense em território palestino."Tomar essa decisão enquanto Bibi visita Washington envia apenas uma mensagem: Israel continuará com sua velha política e não concederá aos palestinos seus direitos", atacou Sabri Saidam, membro da Autoridade Palestina. Até a noite de ontem, os EUA não se haviam pronunciado sobre a expansão.Além da colonização da Cisjordânia, Israel e EUA divergem sobre a formação de um Estado palestino. O novo gabinete israelense, liderado pelo direitista Bibi, ignora o termo "Estado" em detrimento de fórmulas calcadas no desenvolvimento econômico. Mas o governo Obama defende a criação de um Estado soberano na Cisjordânia e na Faixa de Gaza.DISPUTA LEGALIsrael havia sido condenado quando, em 2006, anunciou planos de construção de moradias em Maskiot. Segundo críticos, a ação violaria compromissos internacionais firmados na década de 90 que previam o fim da expansão de assentamentos nos territórios palestinos. A construção, portanto, seria ilegal. O projeto acabou congelado até que, em julho, o ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, emitiu uma licença para a construção. Barak foi o único membro do primeiro escalão a sobreviver à mudança de governo em Israel, que passou do centrista Ehud Olmert ao direitista Bibi, em janeiro.Colonos justificam que Maskiot não é, tecnicamente, um novo assentamento, pois a área é ocupada por uma base do Exército de Israel desde os anos 80. Hagit Ofran, do movimento pacifista israelense Paz Agora, discorda. Segundo ele, levar civis a Maskiot altera o status do território. "Em todos os aspectos, trata-se de um novo assentamento", disse Ofran.O governador local, David Elhaiini, garantiu que não há relação entre a abertura da licitação e a viagem de Bibi a Washington. "Todo o processo está sendo conduzido obedecendo às leis. Não nos pautamos pelo momento (do encontro em Washington)", disse Elhaiini.Ontem, representantes de empreiteiras visitaram Maskiot para analisar a viabilidade do projeto. Se levado adiante, o assentamento contará com cerca de dez casas, além de postos de segurança para evitar ataques.As famílias que ocupam Maskiot foram retiradas de assentamentos da Faixa de Gaza em 2005, durante o governo Ariel Sharon. Elas receberam indenizações do Estado pelas desapropriações.

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