Israel dá sinais contraditórios; Arafat quer cessar-fogo

O governo de Israel emitiu sinais contraditórios em sua resposta à proposta de paz aprovada hoje pela Liga Árabe. O Ministério de Relações Exteriores - pasta controlada pelos trabalhistas, de centro-esquerda - recebeu bem a iniciativa e a descreveu como "muito interessante e importante", mas assinalou que o tópico referente aos refugiados é problemático. Quanto à retirada de Israel para as fronteiras anteriores à Guerra dos Seis Dias, travada em 1967, um porta-voz disse ser esta "uma questão a negociar diretamente com os palestinos".No entanto, na quarta-feira o primeiro-ministro Ariel Sharon - do partido direitista Likud - disse à imprensa que Israel nunca voltará às fronteiras de 1967. Hoje, assessores do governo disseram ser muito vago o termo "relações normais", usado pelos árabes em sua proposta de reconhecimento do Estado de Israel. "Nós não vamos entrar em detalhes sem avaliar os detalhes primeiro", disse um porta-voz. Um dos pontos, porém foi rechaçado: o direito de retorno dos refugiados palestinos. Neste ponto, "não há possibilidade de alcançar um compromisso, porque implicaria na destruição de Israel", disse ele.Já o presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat, declarou que está pronto para trabalhar por "um cessar-fogo imediato" com Israel. "Estamos prontos", disse ele em entrevista coletiva concedida hoje em Ramallah, na Cisjordânia. "Estou garantindo nossa prontidão para trabalhar por um cessar-fogo, uma trégua imediata." Israel ainda não emitiu nenhum comentário sobre a declaração do líder palestino. Arafat contou ter dito ao enviado especial norte-americano ao Oriente Médio, Anthony Zinni, que está pronto para negociar a trégua sem impor nenhum condição.

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