Israel dará resposta ´limitada´ após Hamas romper cessar-fogo

O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, optou nesta quarta-feira, 25, por uma ação militar limitada na Faixa de Gaza. Segundo fontes, a decisão veio após o braço armado do Hamas ter declarado a suspensão de um cessar-fogo na região e lançado foguetes contra Israel. Olmert descartou uma ofensiva por terra e decidiu, em reunião com chefes de segurança, intensificar ataques a alvos programados contra grupos palestinos que lançam foguetes. O premier decidiu, no entanto, evitar a busca por líderes políticos ou altos militantes, disseram as fontes. "Israel não vai hesitar em tomar medidas duras contra aqueles que tentarem atingir a soberania lançando foguetes em nosso território, tentativas de ataques contra soldados, e (por) outros meios", disse o gabinete de Olmert em um comunicado depois de uma reunião do setor de segurança. Na terça-feira, dia do 59º aniversário da criação de Israel, as Brigadas Izz El Deen Al Qassam, do Hamas, dispararam oito foguetes da Faixa de Gaza contra o Estado judeu, numa retaliação pela morte de nove palestinos durante ações contra militantes na Cisjordânia ocupada. Dois dos foguetes caíram no sul de Israel, sem provocar danos ou vítimas, segundo os militares. O cessar-fogo vigorava desde novembro. Fontes israelenses de segurança disseram que recentemente os militares concluíram um treinamento para ofensivas terrestres contra militantes na Faixa de Gaza, caso o governo dê sinal verde para isso. Mas uma fonte política disse que Olmert, com a popularidade em baixa desde a inconclusa guerra de 2006 no Líbano, desta vez não se inclina por uma ofensiva em grande escala. "Uma operação mais ampla (em Gaza) será realizada só quando estiver claro que o benefício for maior do que o dano resultante", disse o vice-ministro israelense da Defesa, Ephraim Sneh, à Rádio do Exército. Em Gaza, uma autoridade palestina disse que uma delegação de segurança egípcia manteve encontros em separado com o Hamas e com a Jihad Islâmica, salientando a necessidade de restaurar a calma e de evitar que se dê a Israel um pretexto para uma ofensiva terrestre. Abu Abaida, porta-voz das Brigadas Qassam, disse após os disparos de foguetes na terça-feira que "Não há calma entre nós e a ocupação (israelense). A ocupação acabou com a calma". Mas o governo palestino, liderado pelo Hamas, se disse interessado em manter o cessar-fogo na Faixa de Gaza. A trégua não abrange a Cisjordânia, onde os militares israelenses realizam freqüentes ações contra grupos militantes, que constantemente planejam ataques dentro de Israel. "Se a ocupação parar todos os assassinatos, a violência, as prisões e ações contra nossa gente, o Hamas vai considerar (aderir a) uma calma duradoura, em ligação com outras facções, como uma posição coletiva", disse Fawzi Barhoum, porta-voz do Hamas.

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