Israel debate acordo de Meca e desordens em Jerusalém

O Governo de Israel, presidido pelo primeiro-ministro Ehud Olmert, analisará, neste domingo, o Acordo de Meca entre o movimento islâmico Hamas e o nacionalista Fatah, além das desordens em Jerusalém por ocasião da rampa em direção às mesquitas.Pelo menos 70 palestinos foram detidos neste sábado em Jerusalém e nos arredores de Belém da Cisjordânia, onde apedrejaram um posto militar na entrada do antigo santuário judeu da matriarca Raquel, que segundo os muçulmanos é um cemitério islâmico.Durante o debate do Gabinete Nacional, segundo fontes do Ministério da Defesa, seu titular, Amir Peretz, questionará a autorização das obras, que o primeiro-ministro Olmert deu sem consultas ou informações prévias.De acordo com pessoas próximas ao ministro da Defesa, Peretz se inclina a suspendê-las para impedir os protestos.Também se espera que o Gabinete Nacional emita um comunicado em relação ao acordo entre os dois grandes movimentos palestinos para constituir um Governo de unidade segundo bases que já foram rechaçadas este fim de semana, em princípio, pela ministra de Exteriores, Tzipi Livni, que considera que não respondem às exigências de seu país nem às da comunidade internacional.Entre essas exigências está a de reconhecer a legitimidade do Estado judeu, e aceitar as condições do Quarteto de Madri para as negociações de paz segundo seu plano, o "Mapa de Caminho".A construção da nova rampa despertou azedas reações entre os palestinos de Jerusalém e da Cisjordânia, e também na cidade de Nazaré, ao norte de Israel, onde milhares de cidadãos da minoria árabe, convocados pelo Movimento Islâmico local, manifestaram contra a polêmica rampa.Juntaram-se aos protestos diferentes países muçulmanos que, como os palestinos, acusam Israel de pretender levar o judaísmo à "Jerusalém árabe".Os israelenses alegam que possuem a soberania política em Jerusalém, e é seu direito levantar a nova rampa para proteger a segurança dos visitantes.O acesso à esplanada das mesquitas nesse ponto é pela porta de Mugrabi, a única sob controle da Polícia israelense entre as usadas pelos palestinos para chegar a seus templos.Cerca de 2.000 policiais estavam postados desde a noite de sábado na cidade antiga de Jerusalém e em seus arredores, para impedir o acesso às mesquitas de palestinos menores de 45 anos, embora, segundo vídeos feitos pela Polícia, boa parte dos distúrbios da sexta-feira passada nessa esplanada foi protagonizada por adultos e também por mulheres.As autoridades islâmicas suspeitam que o objetivo dos israelenses é enfraquecer os alicerces da Mesquita de al-Aqsa, um temor permanente entre os membros da comunidade muçulmana.O ministro de Segurança Interior, Avi Dichter, ex-chefe dos serviços secretos do "Shin Bet", rejeitou categoricamente as acusações dos islamitas, entre eles o rei Abdullah II da Jordânia, e afirmou que Israel reconhece "direitos históricos" nos santuários muçulmanos, e do presidente palestino Mahmoud Abbas.

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