Israel debate destruição de casas palestinas

Israel iniciou neste domingo um debate interno sobre a demolição, por seu Exército, de dezenas de casas palestinas na Faixa de Gaza, e os críticos do primeiro-ministro Ariel Sharon disseram que a operação foi inapropriada e mal executada. O Exército israelense anunciou ter demolido na quinta-feira 21 edificações vazias em Rafah para evitar que franco-atiradores palestinos as utilizassem para disparar contra forças israelenses que patrulham a fronteira próxima com o Egito. No entanto, segundo os palestinos e vários funcionários das Nações Unidas, foram destruídas mais de 50 habitações e mais de 500 pessoas ficaram sem moradia. Alguns políticos israelenses, entre eles o ministro Matan Vilnai, da Cultura, e o chanceler Shimon Peres, criticaram a atuação do Exército. Vilnai disse que não se opunha à demolição, mas disse que a questão é sobre "como ela deveria ser feita". "Deveríamos ter oferecido (aos palestinos) a possibilidade de se transferirem paa outras casas?, indicou ele à rádio do Exército. Ele acrescentou que Israel poderia ter enviado trailers para alojar os refugiados afetados e situá-los a centenas de metros da zona fronteiriça. O chanceler Shimon Peres disse à televisão israelense qure "tínhamos que responder de alguma maneira (a um ataque de atiradores palestinos que matou 4 soldados israelenses)", mas acrescentou que "ainda não estou seguro sobre se uma resposta diferente teria sido melhor". O tema foi discutido na reunião de gabinete de domingo, e Sharon criticou os que expressaram suas ressalvas à medida. O ministro da Defesa, Binyamin Ben-Eliezer justificou a operação, insistindo em que as casas abandonadas eram usadas há muito tempo por atiradores. Desde que os quatro soldados israelenses foram mortos na última quarta-feira, as escavadeiras do Exército destruíram também a pista do aeroporto internacional de Gaza e descobriram um túnel no acampamento de refugiados de Rafah, que supostamente era utilizado como ponto de entrada para o contrabando de armas procedentes do Egito. Ontem, as forças navais israelenses destruíram duas embarcações e incendiaram tanques de combustível na base naval palestina em Gaza, em represália à descoberta de um contrabando de 50 toneladas de armas em um navio capturado em alto mar por comandos israelenses, que supostamente era destinado a combatentes palestinos. Israel e o capitão do navio diseram que as armas haviam sido enviadas pelo Irã para os palestinos. Israel acusou Yasser Arafat de envolvimento no caso, o que o líder da Autoridade Nacional Palestina (ANP) negou. O ministro da Defesa iraniano, Ali Shamkhani, declarou que seu país não desempenhou nenhum papel no caso. Falando à agência estatal IRNA, Shamkhani disse que "a República Islâmica do Irã não tem relações militares com Yasser Arafat e nenhuma iniciativa foi tomada por qualquer organização iraniana para o fornecimento de armas para os territórios palestinos". O ministro iraniano acusou Israel de retratar o Irã como "uma ameaça permanente" à segurança para influenciar a política no Oriente Médio, e asegurou que o governo israelense não tem nenhuma prova ligando o Irã ao contrabando de armas. O porta-voz palestino Yasser Abed Rabbo disse neste domingo que o Irã e os palestinos têm apenas relações políticas. Respondendo às advertências feitas na quinta-feira pelo presidente americano, George W. Bush, Shamkhani qualificou como "sem nenhuma base" as alegações de que o Irã estaria dando abrigo a combatentes da Al-Qaeda em fuga do Afeganistão. Ao mesmo tempo, em conversa telefônica com o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, o presidente iraniano Mohammad Khatami disse que nenhum terrorista encontraria abrigo no Irã, em aparente referência à alegada presença de membros da Al-Qaeda no país.

Agencia Estado,

13 Janeiro 2002 | 17h02

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