Israel declara Arafat "inimigo"

O primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, declarou em uma entrevista coletiva concedida na manhã desta sexta-feira que passa a considerar o líder palestino Yasser Arafat ?inimigo? do Estado judeu. O governo de Israel já havia convocado os reservistas de seu exército, na noite anterior, e ordenado uma operação de ?confinamento total? de Arafat no interior do complexo de edifícios que servem de sede à Autoridade Palestina em Ramalah, na Cisjordânia. Durante a conferência de imprensa, Sharon relembrou os ataques que, segundo ele, levaram à decisão israelense, dentre os quais citou em especial o atentado suicida da última quarta-feira, ocorrido em um hotel da cidade de Netanya, que deixou um saldo de 21 mortos e mais de uma centena de feridos. Sharon destacou também o ataque de quinta-feira à noite, quando um ativista palestino matou quatro israelenses em um assentamento judeu, e um incidente ocorrido na madrugada desta sexta-feira em Netzarim, uma colônia judia na Faixa de Gaza, no qual um palestino matou duas pessoas a punhaladas. ?Tudo isso ocorre em um período no qual a mão de Israel estava estendida para a paz?, afirmou o primeiro-ministro. Fazendo alusões aos esforços na direção de um acordo de paz feitos pelo enviado especial norte-americano, Anthony Zinni, Sharon disse que seu país estava disposto a fazer todo o possível para chegar a um cessar-fogo, ?mas tudo o que Israel recebe em troca é terrorismo, terrorismo, e mais terrorismo?. Sharon, decretou ?uma guerra total contra o terrorismo?, e a cidade de Ramallah foi declarada a ?capital do terrorismo?.Depois da fala de Sharon, o ministro da Defesa, Binyamin Ben-Eliezer, também fez um breve pronunciamento, e afirmou que seu governo não tem nenhuma intenção de capturar territórios com as operações desencadeadas, e nem de atentar fisicamente contra Arafat, mas apenas de ?combater a infra-estrutura terrorista?. Durante todo o momento em que se desenrolava a reunião do gabinete israelense, e depois, durante a sessão de imprensa, tanques israelenses fizeram um incursão em Ramalah, e cercaram o prédio onde se localiza o gabinete de Arafat, no centro da cidade palestina. Um dos muros do complexo foi derrubado e os tanques ficaram estacionados em volta de todas as saídas possíveis. Os soldados israelenses capturaram dois dos edifícios da Mukata, nome pelo qual é conhecido o quartel-general de Arafat. Os militares, por meio de alto-falantes, pediam a rendição dos policiais palestinos que defendem Mukata. Pelo menos treze dos agentes da guarda de Arafat, a Força 17, ficaram feridos ao defender o líder palestino, que está bem e continua em seu escritório.O presidente palestino, de 73 anos, fez um pedido ao mundo muçulmano para que saia em defesa de seu povo, e para isso se dirigiu ao xeque Hamad Bin Jalifa, chefe de Estado do Catar, e presidente da Organização Islâmica. Arafat conversou também, por telefone, com o mediador americano, Anthony Zinni, que está há quinze dias na região. À imprensa internacional, Arafat declarou que ?esta é a resposta de Israel à iniciativa de paz da Arábia Saudita?, aprovada em Beirute pela Cúpula de chefes de Estado árabes nesta quinta-feira. E afirmou também que, se fosse preciso, estava disposto ?a morrer como um mártir?. Arafat havia anunciado na noite da quinta-feira, antes da reunião do Conselho de Ministros israelense em Jerusalém, sua disposição de ?um cessar-fogo incondicional?, mas a oferta foi ignorada, pois os israelenses a consideram ?uma de suas conhecidas manobras, que utiliza cada vez que se vê em perigo?. O ministro Saeb Erekat declarou à imprensa que o ?governo de Sharon se propôs a destruir a Autoridade Nacional Palestina e trazer mais derramamento de sangue à região?. O porta-voz do líder palestino Yasser Arafat, Nabil Abu Rudeina, declarou à rede de televisão norte-americana CNN, que as declarações do primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, são ?uma declaração de guerra contra o povo palestino?.Pelo menos quatro palestinos morreram durante a operação, e calcula-se que haja dezenas de feridos. Entre as vítimas, um casal e seu filho, foram impedidos de ser atendidos pelas ambulâncias do Crescente Vermelho, pois o governo de Israel alega ter apreendido, há dois dias, na estrada que liga as cidades de Ramallah e Nablus, uma carga de explosivos em uma ambulância da organização médica, escondida debaixo de uma maca na qual levavam um menino. Em outras ocasiões, alegou que a organização transportava ativistas armados. O Crescente Vermelho solicitou a cooperação da Cruz Vermelha Internacional para solucionar a disputa, mas não se sabe se as organizações médicas chegaram a um acordo.Por fim, as Forças Nacionais e Islâmicas, uma coalizão de 13 grupos palestinos, decidiram ?unir-se para defender o povo palestino na faixa de Gaza e na Cisjordânia?, segundo declarou um porta-voz do grupo extremista Hamas.

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