Israel declara Arafat responsável por ataques e rompe contatos

Israel cortou nesta quinta-feira (pelo horário local) os contatos com o presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat, acusando-o de ser "diretamente responsável" pelos ataques que deixaram 10 israelenses mortos e mais de 30 feridos nesta quarta-feira.A atitude parece enterrar os esforços norte-americanos para negociar uma trégua para pôr fim aos mais de 14 meses de violência entre israelenses e palestinos.Um comunicado emitido pelo governo de Israel após reunião do Gabinete de Segurança em Tel Aviv acusa Arafat de ser "diretamente responsável por uma série de ataques e, portanto, ele não é mais relevante para Israel, e Israel não mais terá nenhuma ligação com ele".Após a reunião, o ministro da Justiça, Meir Sheetrit, disse que não haveria mais contatos entre o Estado judeu e Arafat ou a Autoridade Palestina por ele liderada. Isto inclui as reuniões entre comandantes de segurança, afirmou."Nós negociamos com os palestinos em todos os níveis durante dois anos", disse Sheetrit. "Agora é o momento de Israel defender-se."Mas fontes do governo israelense garantiram que a decisão de suspender os contatos com Arafat não significa que Israel pretenda atacá-lo fisicamente."Acreditamos que Arafat não pode ser nosso sócio no processo de paz e não podemos contar com ele. Mas isto não significa que Israel tenha a intenção de acabar com a Autoridade Palestina", disse Sheetrit."Não existe nenhuma ordem de ataque contra Arafat", garantiu Gideon Saar, secretário de governo israelense.O enviado norte-americano Anthony Zinni passou as duas últimas semanas tentando implementar uma trégua acertada em maio, mas que ainda não saiu do papel.Ele reuniu-se em três oportunidades com comandantes de segurança israelenses e palestinos, mas as sessões terminaram em discussões, com um lado acusando o outro pelo prosseguimento da violência.Após dois atentados suicidas ocorridos no começo do mês em Jerusalém e Haifa, o gabinete israelense classificou a Autoridade Palestina como "entidade que apóia o terrorismo", mas autorizou a retomada dos contatos alguns dias depois.Na ação mais sangrenta desta quarta-feira, dez pessoas morreram e pelo menos 30 ficaram feridas em uma emboscada armada por extremistas palestinos diante do assentamento judaico de Immanuel, na Cisjordânia.Pouco depois, caças-bombardeiro F-16 de Israel atacaram alvos da segurança palestina na Faixa de Gaza e Cisjordânia.Uma bomba foi detonada por controle remoto quando passava um ônibus vindo de Tel-Aviv, perto da entrada da colônia de Immanuel, situada perto da cidade autônoma palestina de Nablus, no norte cisjordaniano.Pouco depois, três palestinos lançaram granadas contra o veículo e abriram fogo de metralhadora contra passageiros do ônibus e de carros atingidos pela explosão e também contra as equipes de socorro recém-chegadas ao local. Um dos atacantes foi morto por um motorista israelense, que lançou o carro sobre ele, e os outros dois fugiram.Quase simultaneamente, dois atacantes-suicidas explodiram bombas atadas a seus corpos no assentamento judeu de Gush Katif, na Faixa de Gaza, ferindo vários colonos. Os atacantes morreram.O atentado contra o ônibus israelense foi reivindicado por duas organizações - os fundamentalistas islâmicos do Hamas e as Brigadas dos Mártires de Al-Aqsa - facção armada da Fatah, grupo a que pertence o presidente da Autoridade Palestina (AP), Yasser Arafat.Um comunicado conjunto dizia que o ataque era "em resposta aos assassinatos, seqüestros e detenções" de membros dessas organizações, numa referência às recentes incursões dos militares israelenses nos territórios ocupados para prender e matar palestinos acusados de planejar e realizar atentados.A AP condenou os atentados palestinos e anunciou à noite o fechamento de todos os escritórios, bem como instituições educacionais e de saúde do Hamas e de outro grupo radical islâmico, a Jihad Islâmica, mas não mencionou as brigadas da Fatah.O desmantelamento dos grupos radicais vem sendo exigido por Israel, Estados Unidos e, mais recentemente, pela União Européia (UE).Cerca de uma hora mais tarde, quatro caças-bombardeiro F-16 de Israel atacaram um posto das forças de segurança palestina na Faixa de Gaza e bombardearam Nablus. Tanques israelenses cercaram Ramallah, onde se encontra Arafat. Não há informações sobre vítimas.

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